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Esportes

Doce Mel/Jequié: Sem aeroporto, time encara desafio inédito na Série A2

O Doce Mel/Jequié, único time do interior da Bahia no Brasileiro Feminino A2, enfrentará a maior logística do país por falta de aeroporto.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Esportes
07 de fevereiro, 2026 · 00:18 3 min de leitura
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

O time do Doce Mel/Jequié, orgulho do interior da Bahia, está se preparando para uma jornada histórica no Campeonato Brasileiro Feminino A2 de 2026. Mas, além dos desafios dentro das quatro linhas, a equipe enfrenta uma verdadeira maratona logística que promete ser a mais complexa entre todos os clubes que disputam as principais divisões do futebol feminino no país, incluindo as Séries A1, A2, A3 e a Copa do Brasil Feminina.

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A razão para essa dificuldade extra é simples e impacta diretamente o planejamento do clube: Jequié, na Bahia, não possui um aeroporto ativo. Isso significa que, para cada viagem nacional que o time precisar fazer, a delegação tem que encarar longas horas de estrada antes mesmo de embarcar em um avião.

A Realidade Longe dos Grandes Centros

Para se ter uma ideia, os aeroportos mais próximos e viáveis para a equipe estão a uma boa distância: o Glauber Rocha, em Vitória da Conquista, e o 2 de Julho, em Salvador. Na temporada passada, o aeroporto da capital baiana foi o principal ponto de partida para as jogadoras e comissão técnica. Essa ausência de voos diretos de Jequié transforma cada deslocamento em uma aventura. São horas de ônibus, seguidas por voos com possíveis escalas, e, consequentemente, menos tempo para as atletas descansarem e se recuperarem entre uma partida e outra.

“A maior dificuldade de uma equipe do interior é justamente a logística para disputar uma competição desse tamanho nacional”, explicou Emanuel Campos Silva, o Tinho, técnico do Doce Mel/Jequié, em conversa com o Bahia Notícias. Ele ressaltou que, mesmo com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) bancando as passagens, o desgaste físico e mental é imenso. “Muitas vezes saímos de um jogo, chegamos de madrugada em Jequié e já precisamos viajar novamente para outra partida”, completou Tinho, ilustrando a rotina exaustiva.

Essa realidade contrasta bastante com a de outros times do interior de outros estados, que contam com a sorte de ter aeroportos perto ou até mesmo dentro de suas cidades. Clubes como Ferroviária, em São Paulo, Juventude, no Rio Grande do Sul, e JC Itacoatiara, no Amazonas, por exemplo, têm essa vantagem que facilita enormemente a vida de seus atletas. No futebol masculino, a situação é similar: a maior parte dos grandes clubes está nas capitais, onde há mais estrutura, investimentos e, claro, facilidade de transporte.

Um Sonho Levado no Ônibus e no Avião

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Na Série A2, que o Doce Mel/Jequié disputará em 2026, a competição acontece em nível nacional, com equipes de todo o Brasil se enfrentando. Isso significa que os grandes deslocamentos são a regra, e não a exceção. Para o time do interior baiano, cada jogo fora de casa será um teste de resistência.

Apesar de todos esses obstáculos, o ano de 2026 marca um momento histórico para o Doce Mel/Jequié. O clube está alcançando um novo patamar no futebol feminino brasileiro, entrando para o seleto grupo de equipes que competem em nível nacional. É uma oportunidade única de levar o nome de Jequié e de todo o interior da Bahia para as principais competições organizadas pela CBF, mostrando a força e a paixão pelo esporte que vêm de longe dos grandes centros.

Tinho concluiu, reforçando a importância do contexto regional: “Essa é a realidade das equipes do interior. A gente segue competindo, representando nossa região e reforçando a necessidade de um aeroporto regional, que facilitaria não só o esporte, mas o desenvolvimento de toda a região”. A luta do Doce Mel/Jequié, portanto, vai além dos gramados, tornando-se também um símbolo da busca por mais infraestrutura e reconhecimento para o interior do estado.

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