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Esportes

Do sertão sergipano à Mongólia: meia conta como foi trocar o Brasil por uma Premier League asiática

Saulo Ruan, 23 anos, saiu de Nossa Senhora da Glória, passou pela Eslováquia e Portugal, e hoje é titular do Khovd Broncos — e ainda cursa Engenharia de Software.

Redação ChicoSabeTudo
26 de julho, 2026 · 07:07 3 min de leitura
Jogador de futebol em campo com uniforme de clube, representando atleta brasileiro no exterior
Jogador de futebol em campo com uniforme de clube, representando atleta brasileiro no exterior

Poucas histórias no futebol começam tão longe dos holofotes quanto a de Saulo Ruan. Natural de Nossa Senhora da Glória, no sertão de Sergipe, o meio-campista de 23 anos hoje defende o Khovd Broncos, clube da Mongolian Premier League — a principal divisão do futebol da Mongólia. A trajetória passou por peneiras em São Paulo, uma temporada frustrada em Roraima, o futebol europeu e, agora, um continente que pouquíssimos jogadores brasileiros chegaram a conhecer de dentro.

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Em entrevista ao Portal Infonet, Saulo contou que os primeiros passos em busca do profissionalismo começaram aos 13 anos, quando ele ainda jogava futsal — modalidade que pratica desde os cinco. A partir daí, pai e filho foram percorrendo o país atrás de oportunidades, com passagens por Portuguesa Santista, Ponte Preta, São Paulo, Cruzeiro, Ceará e Fortaleza, entre outros clubes. Aos 17, disputou o Campeonato Cearense Sub-17 pelo Clube Atlético Cearense.

Aos 19 anos, surgiu a virada. Uma chance na Espanha abriu caminho para Portugal e, depois, para a Eslováquia, onde o atleta jogou por dois clubes diferentes ao longo das temporadas 2023/24 e 2024/25. A carreira internacional de Saulo teve início na temporada 2023/24, quando atuou pelo SKM Liptovský Hrádok, da Eslováquia, antes de passar por Portugal e retornar ao futebol eslovaco para defender o SK Svodín.

O próximo passo foi o mais ousado. No início de 2026, surgiu a oportunidade de atuar no continente asiático, dando sequência ao projeto de consolidar a carreira fora do Brasil. Segundo o próprio jogador, a principal motivação foi a ambição de disputar uma Premier League — e o desejo de conhecer uma cultura completamente nova. "Chegar à Mongólia foi uma experiência completamente diferente. Além da distância de mais de 15 mil quilômetros do Brasil, existe uma cultura, idioma, clima e realidade futebolística muito particulares", destacou ele.

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Na comparação entre os futebol que viveu, Saulo traçou um panorama direto: no Brasil, destaca a criatividade que vem das ruas e das quadras; na Europa, encontrou organização tática e valorização do coletivo sem abrir mão da técnica. Já na Mongólia, afirmou que o nível técnico ficou abaixo do que encontrou no Brasil e na Eslováquia, mas enxergou potencial de crescimento. Segundo ele, a liga ainda tem espaço para avançar na profissionalização da estrutura e do desenvolvimento local.

Outra diferença que chamou sua atenção foi cultural: enquanto no Brasil e em boa parte da Europa o futebol ocupa o topo do interesse popular, na Mongólia o esporte divide espaço e atenção com outras modalidades. Para Saulo, esse cenário, em vez de desanimar, reforça a perspectiva de crescimento da liga nos próximos anos.

A combinação entre esporte e educação reforça o planejamento de longo prazo do jogador, que busca evoluir tanto dentro quanto fora dos gramados. Além da carreira atlética, Saulo concilia a rotina de jogador profissional com um curso de Engenharia de Software e atividades empreendedoras — uma aposta no futuro que vai além das quatro linhas.

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A história do sergipano é rara, mas não única no sentido do que representa: um nordestino que saiu de uma cidade do sertão, percorreu clubes de norte a sul do Brasil sem encontrar uma porta, e foi parar numa liga asiática de país que a maioria dos brasileiros não consegue localizar no mapa. Para Saulo Ruan, cada escala nessa rota foi um degrau — e o próximo ainda não tem endereço definido.

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