A possível saída do lateral-direito Gilberto para o Athletico-PR coloca o Bahia diante de um desafio logístico: como cobrir a posição sem comprometer o rendimento do time na Série A e na Copa do Brasil. O clube já tem alternativas mapeadas no próprio elenco, mas a negociação envolve um dilema político — vender um jogador experiente para um rival direto na briga pelo G-4 do Brasileirão.
A situação contratual de Gilberto torna a operação mais viável do ponto de vista financeiro para o Athletico: seu vínculo com o Bahia encerra em dezembro de 2026. Isso significa que a partir de 1º de julho ele já poderá negociar até um pré-contrato com qualquer outro clube. Para o Bahia, negociar agora ainda garante alguma receita — ao contrário de uma saída gratuita no fim do ano.
Pelo lado do Bahia, dois motivos pesam contra a negociação: ela geraria a necessidade imediata de buscar uma reposição no mercado e poderia significar o reforço de um rival na disputa pelo G-4. Não é uma decisão simples para a diretoria tricolor.
Gilberto chegou ao Bahia em julho de 2023, contratado junto ao Benfica de Portugal, com o Esquadrão desembolsando cerca de 2,5 milhões de euros pela transferência. Pelo clube baiano, o lateral acumulou 21 jogos em 2023, 33 em 2024 e 42 em 2025, temporada em que reconquistou a titularidade perdida para o colombiano Santiago Arias. Nesta temporada, porém, sua participação caiu muito.
Para cobrir o setor, o Bahia conta atualmente com o jovem Román Gómez, contratado no início da temporada, além de Acevedo, volante que já atuou improvisado na posição em algumas partidas. São soluções emergenciais que funcionam no curto prazo, mas que não resolvem o problema caso Gilberto deixe o clube antes do fim da temporada.
Na zaga, o cenário é diferente. O Bahia optou por acionar uma alternativa que já estava dentro de casa: o zagueiro Marcos Victor. Contratado junto ao Ceará por R$ 3,9 milhões no fim de 2022, o defensor foi o primeiro reforço da era Grupo City. Em 2023, ganhou espaço sob o comando de Renato Paiva, mas perdeu sequência após uma lesão e com a chegada de Rogério Ceni.
O Bahia o emprestou ao Santa Clara, de Portugal, no fim de janeiro de 2026, com vínculo previsto para durar até junho, mas o Esquadrão solicitou o retorno antecipado do atleta. O jogador, que sequer chegou a estrear pelo time português, já treina normalmente no CT Evaristo de Macedo e ficará à disposição para os jogos do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil.
A decisão ocorreu em meio a um cenário delicado no sistema defensivo: Kanu segue entregue ao departamento médico, enquanto David Duarte ainda cumpria etapa de transição física. Com isso, a volta de Marcos Victor foi vista internamente como alternativa imediata para suprir as baixas no setor.
Além de Gabriel Xavier e Ramos Mingo, titulares do setor, o Bahia conta também com os jovens Fredi e Luiz Gustavo, ambos com idade sub-20. O retorno de Marcos Victor evita, por ora, a necessidade de buscar reforços no mercado, e a avaliação interna é de que a reintegração do atleta aumenta a competitividade no setor até a recuperação completa dos jogadores lesionados.
A janela de transferências só abre no dia 20 de julho e vai até 11 de setembro, mas o mercado já ferve nos bastidores durante a pausa para a Copa do Mundo. O Bahia terá poucas semanas para bater o martelo sobre o futuro de Gilberto — e para definir como vai se organizar se o lateral de 33 anos vestir outra camisa na sequência da temporada.







