O clima de Carnaval tomou conta de Salvador, mas no sábado de folia, um confronto inusitado movimentou a Arena Fonte Nova, em Salvador, na Bahia. Em uma partida pela fase de grupos do Campeonato Baiano, o Bahia, já líder e com vaga garantida, empatou em 2 a 2 com o Jacuipense. O resultado, que não alterou a classificação tricolor, deixou um gostinho amargo nos 17 mil torcedores que trocaram os trios elétricos por um lugar nas arquibancadas.
Desde o apito inicial, era visível que a partida acontecia em um cenário atípico. Com a cidade em festa e o Campeonato Baiano já “resolvido” para o Esquadrão, a equipe entrou em campo com um time alternativo. Uma das curiosidades para a torcida foi ver Caio Alexandre, normalmente usando a camisa 5, com o número 8 às costas – uma mudança que gerou comentários, especialmente para quem vê nele o “cinco” clássico.
O Jogo dos Gols e do Relacionamento com a Folia
Apesar do contexto, o Bahia começou com ímpeto. Logo aos 5 minutos do primeiro tempo, Sanabria, pela direita, fez um belo cruzamento. Caio Alexandre dominou a bola e marcou, abrindo o placar para o Tricolor. A torcida, que preencheu as cadeiras com pipoca e muita festa, pensou que a goleada viria fácil naquele “Circuito Arena”.
No entanto, a Jacuipense reagiu. Após três lances de perigo, o time adversário conseguiu empatar, mostrando que não estava ali para ser mero figurante no sábado de Carnaval. O susto durou pouco. Pouco depois, Sanabria novamente cruzou, Everaldo fez uma assistência, e Erick mandou para o fundo da rede, recolocando o Bahia na frente com 2 a 1.
Parecia que a vitória estava garantida, e a atenção dos torcedores, e talvez dos próprios jogadores, começou a se dividir entre o campo e o barulho da festa lá fora. Foi aí que, em um piscar de olhos, a partida se transformou. Já nos acréscimos do segundo tempo, o Jacuipense conseguiu um gol surpreendente, empatando o jogo em 2 a 2, para a incredulidade de muitos. Um gol aos 46 minutos do segundo tempo é sempre duro, mas em um sábado de Carnaval, ele soou ainda mais doloroso.
Carnaval e o Foco no Futebol
A escolha de agendar um jogo de futebol na Fonte Nova em pleno sábado de Carnaval levantou questionamentos entre os apaixonados pelo esporte. Mesmo com a transmissão pela TVE, que, segundo a análise do comentarista Erick Cerqueira, parecia ter mandado suas melhores câmeras para a folia, a atmosfera não diminuiu o compromisso de 17 mil torcedores.
"O jogo não valia nada. O Campeonato em si, vale muito pouco pro Bahia. A TVE filmou com TekPix. Time reserva em campo. Mas faltou ímpeto e respeito ao Torcedor Pipoca que pagou caro no ingresso, no estacionamento, nos engarrafamentos e por ter preterido de assistir Ivete (que por sinal… que coisa linda!), Baiana System, Durval, pra ver gol da Jacuipense aos 46 do segundo tempo", desabafou Erick Cerqueira sobre a partida.
Essa dedicação do "Torcedor Pipoca", como carinhosamente chamado por Erick, que enfrentou trânsito e abdicou de ver grandes nomes do Carnaval baiano, merecia um resultado diferente. O empate em casa, mesmo com um time alternativo e em um jogo sem valor classificatório, evidenciou a falta de "atitude", na visão do comentarista.
Agora, a expectativa se volta para a Quarta-feira de Cinzas, quando o Bahia terá um novo desafio, desta vez em Rancagua, pela Libertadores. A esperança é que a energia e o foco perdidos no clima carnavalesco retornem para os confrontos que realmente valem muito para o clube nesta temporada.







