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Esportes

As principais ligas brasileiras se beneficiariam com jogos em dias seguidos no estilo dos EUA?

Por exemplo, em uma plataforma com mínimo de 5 reais, é possível fazer apostas pequenas e frequentes, aproveitando o intervalo curto entre partidas para testar diferentes leituras ao longo da série.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Esportes
18 de março, 2026 · 19:43 4 min de leitura
As principais ligas brasileiras se beneficiariam com jogos em dias seguidos no estilo dos EUA?

Os esportes nos Estados Unidos guardam várias características bem típicas do país. Na NFL e na NBA, por exemplo, não há rebaixamento ou subida de divisão. Na principal liga do país, a MLS, também não há esse sistema como acontece na Europa e na América Latina. Da mesma forma, em competições no país, uma prática bastante comum são as chamadas disputas back-to-back, nas quais um mesmo time joga em dias seguidos.

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Tudo isso favorece um mercado bem próprio desse país, fortalecendo um ecossistema com ligas que lideram o faturamento dos esportes no mundo. A NFL, por exemplo, pode faturar, por ano, até 3x mais que a Premier League, uma das mais ricas do futebol mundial. Sendo assim, é fato que esses modelos, enquanto negócios, superam e podem ser exemplos excelentes para o Brasil. Mas, será que disputas back-to-back, com 2 ou mais jogos em dias seguidos, podem ser uma ideia realista para o nosso país?

O futebol e o basquete: diferenças e o caso do Brasil

No modelo norte-americano, os jogos em dias seguidos possibilitam um aumento do engajamento dos torcedores, e também dos apostadores. Por exemplo, em uma plataforma com mínimo de 5 reais, é possível fazer apostas pequenas e frequentes, aproveitando o intervalo curto entre partidas para testar diferentes leituras ao longo da série. Sem dúvidas, nesses aspectos, essa “disputa contínua” é bem interessante, parecendo colocar os dois times em uma competitividade ainda mais justa. 

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Já no Brasil, a liga principal de basquete, NBB, segue um modelo que até se aproxima da NBA, mas a liga americana leva tudo ao extremo. Na temporada regular 24/25 do New York Knicks, por exemplo, o time teve vários jogos “dia sim, dia não”, e alguns não tiveram sequer um dia de descanso. Já no time do Flamengo na NBB teve um espaçamento entre os jogos de pelo menos 48 horas. No futebol braslieiro e sul-americano, as partidas também seguem uma regra semelhante.

Fato é que partidas em dias seguidos, sem descanso, geram mais fadiga nos jogadores. Como uma pesquisa publicada na respeitada revista científica PubMed demonstrou, a ausência em jogos back-to-back reduziu em 16% as chances de lesões em jogadores da principal liga de basquete dos EUA. 

Como o próprio LeBron James já disse, em entrevistas, com mais de 80 jogos por temporada, ele vê um excesso de partidas para determinar os melhores times da temporada. 

Como ficaria o Brasil com o modelo back-to-back?

Por mais que o basquete talvez permita um menor intervalo entre os jogos por um menor desgaste físico, é fato que partidas com tanto pouco tempo de recuperação fazem mal aos atletas. E, se no futebol brasileiro a reclamação sobre o calendário apertado já é enorme, imagine então com esse modelo?

Na prática, é muito difícil acreditar que os clubes aceitariam algo como isso. Sem a capacidade financeira para montar um elenco com 2 ou 3 peças de reposição, então, tudo fica mais difícil. Além disso, com apenas 5 substituições por partida, enquanto no basquete, se pode substituir sem limites, parece quase impossível imaginar um cenário desse no futebol. 

E no basquete? É claro que a discussão já começa a ficar mais realista. Entretanto, alguns pontos precisam ser considerados:

  • A eficiência logística e os próprios investimentos no esporte no Brasil são bem inferiores. Com as longas distâncias que as viagens teriam no território grande do país, esse é um fator-chave de complicação.

  • Além disso, com o menor investimento, fica bem mais difícil ter um elenco com peças de reposição a altura, enquanto nos EUA, toda a cultura está voltada para garantir isso.

  • Por fim, há de se questionar a própria audiência. Há espaço nos veículos de mídia? Os patrocinadores estão preparados e interessados? Vale o risco para os atletas? É uma questão super profunda.

A localização e cultura mudam tudo: há vários esportes num só

Embora o futebol seja um esporte só, não existe só um futebol no mundo. No basquete, o mesmo é válido, é claro. Cada cultura constrói a modalidade conforme seus interesses, e claro, as regras são sempre formatadas conforme aquilo que cada país suporta. E isso não é só uma questão financeira, mas de cultura e sociedade.

Sendo assim, mesmo sem ter analisado outros esportes que também praticam o back-to-back nos EUA e em outros países, essa comparação entre futebol e basquete foi mais que suficiente para essa discussão. Por enquanto, jogos em dias seguidos parecem impensáveis no país.

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