O técnico e diretor técnico do Internacional, Abel Braga, foi suspenso por cinco jogos e terá que pagar uma multa de R$ 20 mil. A decisão veio da 6ª Comissão Disciplinar do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) e é o resultado de uma fala considerada homofóbica, dita por ele durante uma coletiva de imprensa em novembro do ano passado.
A polêmica começou na apresentação oficial de Abel no clube. Na ocasião, o treinador fez críticas à cor de um uniforme de treino e afirmou, de maneira infeliz, que não queria o time usando camisa rosa, pois aquilo “parece time de veado”. A declaração logo gerou uma onda de repercussão negativa, com muitas críticas públicas e mobilizações nas redes sociais. O episódio reacendeu o importante debate sobre a persistência da LGBTfobia, mesmo que “recreativa”, no futebol brasileiro, mostrando como atitudes preconceituosas ainda encontram espaço no esporte.
Punição baseada em artigo contra discriminação
O caso foi analisado e enquadrado no artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD). Este artigo é bem claro e trata especificamente de práticas discriminatórias, incluindo aquelas relacionadas à orientação sexual e outras formas de preconceito, prevendo punições tanto esportivas quanto financeiras para quem as comete. A aplicação deste artigo em um caso de grande visibilidade como o de Abel Braga reforça o compromisso da Justiça Desportiva em combater a discriminação.
Um dos grupos que agiu e formalizou a notícia de infração ao STJD foi o Coletivo de Torcidas Canarinhos LGBTQ+. Para eles, a decisão de punir Abel Braga representa um marco fundamental no enfrentamento institucional à discriminação dentro do esporte.
“Essa é uma decisão importante, que reforça mais uma vez a postura antidiscriminatória do STJD e aprofunda a luta contra a LGBTfobia recreativa no futebol brasileiro. O futebol não pode continuar tratando a violência como piada. Quando uma autoridade do esporte reproduz esse tipo de discurso, ela legitima um ambiente hostil e perigoso para milhares de pessoas”, afirmou Onã Rudá, que é fundador e presidente do Coletivo de Torcidas Canarinhos LGBTQ+.
O coletivo também fez questão de frisar a necessidade de uma atuação firme por parte da Justiça Desportiva diante de declarações públicas que carregam preconceito, especialmente quando estas vêm de figuras de liderança no esporte, como técnicos, dirigentes e atletas, que têm grande influência sobre torcedores e jogadores.
Apesar da decisão da 6ª Comissão Disciplinar, a punição ainda não é definitiva. Abel Braga tem o direito de recorrer ao Pleno do STJD, que é a instância superior da Justiça Desportiva, para tentar reverter ou diminuir a suspensão e a multa.







