A Prefeitura de Paulo Afonso entrou na disputa trabalhista que pode deixar a cidade sem ônibus. Diante da ameaça de paralisação dos motoristas da Atlântico Transportes, a gestão municipal recebeu representantes do Sindmetro — sindicato que representa a categoria — para ouvir as reivindicações e tentar costurar um acordo antes que a greve se concretize.
A reunião foi conduzida pelo secretário municipal de Administração, Alexsandro Alves, o Leco. Segundo informações divulgadas pela Prefeitura de Paulo Afonso, o município deixou claro que não faz parte da relação trabalhista entre a empresa concessionária e seus funcionários, mas assumiu o papel de intermediador por conta do impacto que uma paralisação causaria à população.
A paralisação por tempo indeterminado estava prevista para começar no dia 3 de junho de 2026, a partir das 00h01. O Sindmetro notificou oficialmente a Prefeitura de Paulo Afonso e a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Planejamento Urbano sobre o movimento grevista.
O estopim da crise foi a rejeição da proposta salarial da empresa. O Sindmetro oficializou, por meio de ofício à Atlântico Transportes, a rejeição da proposta salarial apresentada à categoria; no documento, a entidade informou que os trabalhadores a rejeitaram por unanimidade durante assembleia realizada entre 4h e 6h, em frente à garagem da empresa. Entre os pontos rejeitados estavam o reajuste salarial de 4,39%, além de 12% no ticket alimentação e 12% na cesta básica. Atualmente, o salário base dos motoristas é de R$ 1.965.
Além da questão salarial, os rodoviários também alegam insatisfação com o custeio parcial do plano de saúde proposto pela empresa, além de reivindicações relacionadas ao pagamento de horas extras e benefícios da categoria.
Com a rejeição da proposta e o anúncio da greve, o Sindmetro convocou o que seria a primeira greve de rodoviários em 60 anos na região. Em nota, o sindicato afirmou estar "à disposição da empresa, da prefeitura e da secretaria de administração para que, antes do início da greve, possamos nos reunir e buscar uma proposta mais justa".
Foi justamente essa abertura que motivou a reunião na sede do município. Segundo a Prefeitura, as demandas apresentadas pelo sindicato foram registradas e encaminhadas ao prefeito Mário Galinho, que determinou o acompanhamento do caso pela gestão. O objetivo é colaborar institucionalmente para um entendimento que preserve tanto os direitos dos trabalhadores quanto o atendimento à população pauloafonsina.
Uma greve no setor afetaria diretamente a população que depende do ônibus como único meio de transporte para trabalho, saúde e estudos em Paulo Afonso. Os trabalhadores afirmam que a campanha salarial já dura mais de 60 dias e alegam que os salários pagos atualmente estão entre os mais baixos da categoria no país.
A empresa Atlântico Transportes não informou se apresentaria uma nova proposta para tentar evitar a paralisação do serviço de transporte coletivo no município. A Prefeitura de Paulo Afonso informou que seguirá acompanhando as tratativas e se coloca à disposição para contribuir com uma solução.






