O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) indeferiu 4,32 milhões de pedidos de benefícios no primeiro semestre de 2026. O número foi cerca de 70% maior que o registrado no mesmo período de 2025, quando houve 2,54 milhões de negativas, segundo dados do Boletim Estatístico da Previdência Social.
No mesmo período de 2026, o INSS concedeu 4,24 milhões de benefícios. Em 2025, as concessões somaram 3,74 milhões. Assim, as negativas ficaram acima das concessões no primeiro semestre deste ano. Os dados são nacionais e não indicam um recorte específico de Santo André.
O aumento dos indeferimentos ocorreu enquanto diminuía a quantidade de pedidos em análise. Em agosto de 2026, o estoque de requerimentos caiu para 1,28 milhão, ante mais de 3 milhões no começo do ano.
Até junho, 2,76 milhões dos indeferimentos estavam ligados a benefícios por incapacidade. Entre janeiro e julho de 2026, 50,8% dos pedidos de benefícios como auxílio-doença e Benefício de Prestação Continuada (BPC) foram recusados. No mesmo intervalo de 2025, a taxa tinha sido de 41%.
Metade dos pedidos de auxílio-doença foi indeferida entre janeiro e julho deste ano, contra 31% no mesmo período de 2025. O benefício correspondeu a 40% das solicitações rejeitadas. A recusa do BPC para pessoas com deficiência passou de 65% para 74%. Entre idosos, subiu de 31% para 45%.
O advogado João Badari, especialista em Direito Previdenciário, disse que alguns pedidos não atendem aos requisitos legais. Segundo ele, o problema ocorre quando a decisão considera uma análise incompleta, documentos não avaliados ou dados incorretos. Badari também afirmou que o aumento exige avaliação mais detalhada da qualidade das decisões.
O advogado Ruslan Stuchi orientou o segurado a conferir o Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), os vínculos de trabalho, os períodos de contribuição e os documentos médicos. Ele afirmou que uma negativa administrativa não prova, por si só, que o segurado não tenha direito ao benefício.
O processo de indeferimento pode ser consultado pelo Meu INSS. Conforme o caso, o segurado pode corrigir dados no CNIS, entregar documentos complementares, recorrer ou fazer um novo requerimento.
Os números estão no Portal da Transparência Previdenciária, mantido pelo Ministério da Previdência e pelo INSS. A plataforma reúne dados mensais sobre requerimentos deferidos e indeferidos de aposentadorias, pensões, BPC e outros benefícios.







