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Impasse no TRT-5: rodoviários de Salvador saem sem acordo e greve depende de reunião desta quinta

Quatro horas de negociação mediada pela Justiça do Trabalho não foram suficientes para fechar acordo; categoria realiza assembleia para decidir sobre paralisação enquanto tribunal propõe novo encontro para quinta-feira (21).

Redação ChicoSabeTudoRedação · Emprego
20 de maio, 2026 · 19:09 3 min de leitura
Ônibus do transporte público de Salvador enfileirados em terminal
Ônibus do transporte público de Salvador enfileirados em terminal
PI 637

A capital baiana acorda nesta quinta-feira (21) ainda sem saber se terá ônibus circulando normalmente nos próximos dias. A audiência de conciliação realizada na tarde de quarta (20) no Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região (TRT-5), em Salvador, durou cerca de quatro horas e encerrou sem que rodoviários e empresários do transporte público chegassem a um entendimento.

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O resultado mantém viva a ameaça de uma greve geral da categoria, que está em estado de paralisação desde a semana passada. De acordo com o Sindicato dos Rodoviários, a categoria poderá iniciar uma paralisação já nesta sexta-feira (22), caso não haja avanço nas negociações salariais com os empresários do setor.

A presidente do TRT-5 mediou a sessão e apresentou uma proposta às partes — cujo conteúdo, a pedido dos envolvidos, foi mantido em sigilo. Segundo informações divulgadas pelo portal A Tarde, ela afirmou que tanto o sindicato quanto as empresas pediram tempo para fazer reuniões internas antes de se posicionarem sobre o que foi colocado na mesa. Uma nova audiência foi agendada para esta quinta (21), às 11h.

A confirmação sobre os próximos passos foi feita pelo presidente do sindicato, Fábio Primo, que afirmou que o rumo da mobilização dependerá do resultado da audiência de conciliação marcada para esta manhã. O Sindicato dos Rodoviários também vai realizar uma assembleia permanente da Campanha Salarial 2026 nesta quinta-feira (21), às 15h, na sede da entidade.

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As queixas da categoria vão além do salário. Segundo informações divulgadas pelo portal A Tarde, o dirigente sindical Hélio Ferreira destacou que esta é uma das campanhas salariais mais difíceis dos últimos anos, com impactos diretos sobre a saúde física e mental dos trabalhadores. Entre os problemas apontados estão excesso de jornada, especialmente nos fins de semana, pressão gerada por sistemas de telemetria com alertas sonoros constantes, escalas que não garantem pausa para ir ao banheiro ou tomar água, e cargas horárias consideradas abusivas.

A classe trabalhadora reivindica reajuste salarial de 5% acima da inflação, ampliação do ticket alimentação para 30 tickets mensais, redução da jornada de trabalho para seis horas diárias, revisão das chamadas cartas horárias, entre outras demandas. Do outro lado, o prefeito de Salvador apontou dificuldades financeiras enfrentadas pelas concessionárias de ônibus da capital e indicou que o aumento recente no preço do diesel, impulsionado pelo cenário internacional, agravou ainda mais a situação econômica das empresas.

O sindicato informou que a audiência no TRT foi provocada após o empresariado ingressar com pedido de Dissídio Coletivo. Em nota, a entidade afirmou que a decisão dos empresários demonstra "falta de disposição para o diálogo" e reforça "a tentativa de empurrar os rodoviários para uma greve", enquanto a categoria teria mantido "uma postura responsável e aberta à negociação" durante toda a campanha salarial.

O estado de greve funciona como um alerta para uma possível paralisação nos próximos dias. Pela legislação, uma greve só pode ser iniciada após aviso prévio com antecedência mínima de 72 horas. Para quem depende do transporte público em Salvador, a definição desta quinta-feira é decisiva — e o desfecho deve ser conhecido antes do fim do dia.

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