Última hora
Publicidade
PMPA - 6175
Emprego

Guerra no Oriente Médio fecha fábrica da Mosaic na Bahia e deixa 30 sem emprego

Crise no fornecimento de enxofre, agravada pelo conflito no Estreito de Ormuz, derrubou os resultados da multinacional e levou ao encerramento da unidade de Candeias, na Grande Salvador.

Redação ChicoSabeTudo
18 de julho, 2026 · 11:14 3 min de leitura
Fábrica de fertilizantes da Mosaic em Candeias, Bahia, com portões fechados após paralisação
Fábrica de fertilizantes da Mosaic em Candeias, Bahia, com portões fechados após paralisação

A guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã chegou ao mercado de trabalho da Bahia. A Mosaic, uma das maiores produtoras globais de fertilizantes, encerrou as operações de sua unidade em Candeias, na Região Metropolitana de Salvador, e demitiu os 30 funcionários da fábrica. A paralisação ocorreu no dia 8 de julho e não tem prazo para ser revertida.

Publicidade

O motivo é a crise no abastecimento de enxofre, matéria-prima essencial para a fabricação de fertilizantes fosfatados. O conflito no Estreito de Ormuz, somado à escalada militar envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã, comprometeu severamente as rotas logísticas e a disponibilidade da matéria-prima no mercado internacional. O preço do enxofre ultrapassou US$ 1.200 por tonelada, nível recorde, forçando cortes na produção global da empresa.

Candeias não é caso isolado. A paralisação alcança outras cinco unidades do grupo nos estados do Paraná, Goiás e Minas Gerais, afetando um total aproximado de 500 trabalhadores em todo o país. No total, a Mosaic anunciou paralisação ou redução do funcionamento de sete das suas 15 unidades de produção e mistura no Brasil.

O rombo financeiro é expressivo. A Mosaic encerrou o primeiro trimestre de 2026 com prejuízo líquido de US$ 258 milhões, ante lucro de US$ 238 milhões no mesmo período de 2025. O segmento Mosaic Fertilizantes, que concentra as operações brasileiras, registrou prejuízo operacional de US$ 422 milhões, contra lucro de US$ 98 milhões um ano antes. Os custos de matérias-primas no segmento de fosfatados subiram US$ 280 milhões no trimestre.

Publicidade

O impacto para os trabalhadores de Candeias foi integral. A decisão foi comunicada ao Sindicato dos Trabalhadores do Ramo Químico, Petroquímico, Plásticos, Fertilizantes e Terminais Químicos do Estado da Bahia — Sindiquímica Bahia — durante reunião realizada na quarta-feira (8). A entidade classificou a suspensão como uma hibernação da unidade e informou que acompanhará o cumprimento das obrigações trabalhistas. Após negociação com o sindicato, a Mosaic comprometeu-se a cumprir o aviso prévio e as cláusulas da convenção coletiva. O pacote anunciado inclui manutenção temporária do plano de saúde por três meses, apoio psicossocial e prioridade aos trabalhadores dispensados caso as atividades sejam retomadas.

O setor de fertilizantes tem peso relevante na economia baiana. De acordo com a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), o estado possui 27 empresas do setor de fertilizantes, que empregam aproximadamente 2,3 mil trabalhadores. A perda de 30 postos em Candeias, região marcada pela presença do polo químico e petroquímico, preocupa trabalhadores e representantes sindicais.

A Mosaic classificou as medidas como temporárias e afirma que não vai abandonar o Brasil. Em nota, a empresa afirmou que "as medidas adotadas são uma resposta temporária às condições extraordinárias do mercado e não representam mudança na estratégia de longo prazo", reafirmando "seu compromisso com a produção de fosfato" e a expectativa de retomar a plena capacidade operacional à medida que o fornecimento global de enxofre seja normalizado. A empresa, porém, diz não ter definido por quanto tempo as unidades ficarão paralisadas, e que a duração dependerá da estabilização dos preços do enxofre, da normalização das cadeias globais de suprimentos, da reabertura de rotas marítimas internacionais e da evolução do cenário geopolítico.

Publicidade

Quase metade do comércio mundial de enxofre está vulnerável a interrupções no Estreito de Ormuz. Enquanto o conflito no Oriente Médio persistir sem solução definitiva, a perspectiva de retomada das operações em Candeias — e no restante do Brasil — segue incerta.

Publicidade

Leia também