O Grupo Mateus, terceira maior rede de supermercados do Brasil segundo o Ranking ABRAS 2026, ficando atrás apenas de Carrefour e Assaí, anunciou uma reestruturação profunda. A empresa fechou 28 lojas e demitiu cerca de 6,6 mil funcionários, com cortes concentrados principalmente em unidades das regiões Norte e Nordeste do país.
A redução representa cerca de 13,9% da força de trabalho da companhia. O número de colaboradores caiu de aproximadamente 47,9 mil para cerca de 41,2 mil funcionários. Os dados foram divulgados ao mercado em maio, segundo informações da própria empresa.
As demissões e o encerramento das atividades atingiram principalmente os estados do Maranhão, Pará, Piauí, Ceará, Sergipe e Bahia, onde o grupo concentra parte importante de suas operações. Para quem mora no Nordeste — e especialmente na Bahia —, a notícia reforça o quanto a instabilidade do mercado de trabalho no varejo afeta diretamente a região.
A decisão estratégica do grupo foi motivada por um conjunto de fatores internos e pressões macroeconômicas, como a forte desaceleração do mercado de consumo, a estrutura de despesas superdimensionada, mudança na estratégia de televendas e eliminação de unidades deficitárias.
O Grupo Mateus passou anos em expansão acelerada, especialmente após a abertura de capital na Bolsa de Valores. No entanto, a meta da companhia agora é garantir a rentabilidade e a maturação das unidades já em funcionamento, deixando de lado o "crescimento pelo crescimento". O presidente do conselho de administração, Ilson Mateus Rodrigues, indicou que mais reduções de despesas estão previstas, mas sem envolver demissões adicionais de funcionários.
O que mais chamou atenção foi o fato de os cortes ocorrerem em meio a números financeiros robustos. Dados divulgados nos balanços da empresa mostram receita bruta superior a R$ 43 bilhões em 2025 e lucro bilionário registrado no início de 2026. No primeiro trimestre de 2026, os balanços iniciais indicaram lucro que superou a marca de R$ 2 bilhões.
O cenário do setor explica parte da decisão. O varejo supermercadista brasileiro enfrenta pressão no consumo, custos logísticos mais altos, juros elevados e concorrência intensa das grandes redes de atacarejo do país.
A XP Investimentos observou que a empresa cortou 9% do quadro de pessoal desde setembro de 2025, o que pode indicar um esforço contínuo de ajuste. A perspectiva dos investidores sobre o papel do Grupo Mateus permanece favorável: BTG Pactual e XP Investimentos recomendam a compra das ações.
Apesar do enxugamento significativo da operação, o Grupo Mateus assegurou que a reestruturação não representa o encerramento de sua estratégia de crescimento. Segundo a companhia, novas unidades ainda poderão ser inauguradas em mercados considerados estratégicos ao longo dos próximos anos.
O grupo opera por meio de diversas bandeiras no varejo e no atacado. Entre elas estão o Mix Mateus (atacarejo), Mateus Supermercados, Camiño Supermercados (lojas de bairro), Spazio (perfil premium), Eletro Mateus, Armazém Mateus, Bumba Meu Pão (panificação) e o Food Service Mateus. Ilson Mateus Rodrigues, fundador do grupo, nasceu em 1963, em Imperatriz (MA), e construiu o negócio a partir de origens humildes — chegou a trabalhar como engraxate, operário em fábrica de cachaça e garimpeiro.







