Um levantamento do Instituto Fundo de Garantia do Trabalhador (IFGT) mostra que empregadores deixaram de recolher cerca de R$ 79 bilhões ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em todo o país. A ausência desses depósitos pode ter atingido aproximadamente 50 milhões de trabalhadores brasileiros.
O estudo tem como base dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Uma reportagem da Viva, que também teve acesso ao levantamento, cita a participação de cerca de dois milhões de empresas nesse cenário, número que não consta na apuração original do IFGT.
Do total identificado, R$ 12,6 bilhões correspondem a notificações recentes feitas pela Caixa Econômica Federal, segundo o IFGT. Já R$ 66 bilhões são referentes a débitos de 500 mil empresas inscritas na Dívida Ativa da União — ponto confirmado também pela reportagem da Viva. Pelo menos 95% do conjunto de empresas devedoras citado no levantamento continuam em atividade, de acordo com o IFGT.
A cobrança das dívidas inscritas na Dívida Ativa da União é atribuição exclusiva da PGFN. Segundo informação oficial do órgão, essa exclusividade vale para débitos já inscritos em dívida ativa; acordos vigentes e valores ainda não inscritos continuam sob gestão da Caixa Econômica Federal.
O FGTS foi criado em setembro de 1966 para funcionar como reserva financeira para trabalhadores com carteira assinada. Todo mês, até o dia 20, a empresa deve depositar o equivalente a 8% do salário do empregado no fundo. Esse valor não é descontado do salário do trabalhador.
Mesmo com a dívida acumulada, o fundo fechou 2025 com patrimônio líquido de R$ 125,98 bilhões e resultado positivo de R$ 14,65 bilhões, conforme dados oficiais do FGTS. Em 28 de julho de 2026, o Conselho Curador aprovou a distribuição de R$ 13.042.511.777,08 aos trabalhadores — o equivalente a 89% do resultado positivo do exercício de 2025, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego. O crédito alcançou cerca de 138,2 milhões de trabalhadores com saldo em contas vinculadas, ativas ou inativas, em 31 de dezembro de 2025.
Para saber se os depósitos estão em dia, o trabalhador pode consultar o extrato e o histórico de cada vínculo empregatício pelo aplicativo oficial do FGTS ou pelo site da Caixa Econômica Federal, além de ativar notificações por SMS. Também existe a plataforma gratuita FGND, lançada pelo IFGT, que permite auditar os depósitos a partir do extrato enviado pelo próprio trabalhador.
Caso identifique atraso, o trabalhador pode tentar uma solução amigável com o empregador. Também pode denunciar a situação à Superintendência Regional do Trabalho. Para buscar uma ação judicial, deve procurar a Justiça do Trabalho, um sindicato, um advogado ou serviço de assistência jurídica. A empresa pode ser obrigada a pagar o valor atrasado com correção monetária, além de multas e outras penalidades.
O saque do FGTS pode ser feito em situações como demissão sem justa causa, calamidade pública, compra da casa própria, aposentadoria e pela modalidade Saque-Aniversário.
Não foram localizadas, até o momento, informações específicas sobre trabalhadores ou empresas de Paulo Afonso e municípios vizinhos relacionadas a este levantamento nacional.







