A Bahia pagou R$ 56,5 milhões em novas aposentadorias e pensões do INSS apenas em junho de 2026 — o dobro do que desembolsava no mesmo mês há duas décadas, mesmo concedendo muito menos benefícios. Os dados foram obtidos pela agência Fiquem Sabendo via Lei de Acesso à Informação e divulgados na terça-feira (7).
Em junho de 2006, o estado registrava 54.891 benefícios concedidos naquele mês, com uma folha de R$ 28,2 milhões. Vinte anos depois, o número de novas concessões despencou 43%, chegando a 31.185 — mas o valor pago cresceu 100,44%, passando a R$ 56,5 milhões. Ou seja: menos benefícios, conta muito mais alta.
A comparação exige um cuidado: os dados do INSS não especificam se os valores foram corrigidos pela inflação. Se não foram, uma projeção com base no IGP-DI, do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (FGV IBRE), indicaria que o gasto real de 2006 valeria hoje R$ 101,8 milhões — quase o dobro do que o INSS efetivamente pagou em junho de 2026. O contraste ajuda a entender que parte do aumento é nominal, reflexo também da valorização do salário mínimo: em 2006, o piso nacional era de R$ 350; em 2026, chegou a R$ 1.621.
Com esses números, a Bahia ocupa a 7ª posição entre os estados que mais gastam com benefícios recém-concedidos. À frente aparecem Rio Grande do Sul (R$ 69,3 milhões), Rio de Janeiro (R$ 67,3 milhões), Paraná (R$ 77,2 milhões), Minas Gerais (R$ 122,3 milhões) e São Paulo (R$ 218,4 milhões). O Distrito Federal lidera com folga: R$ 394,3 milhões em junho. Há 20 anos, a Bahia estava um degrau acima, na 6ª posição do mesmo ranking.
Entre os beneficiários baianos com concessões em 2026, a aposentadoria por idade é a mais comum — foi acessada por 20.735 pessoas, o equivalente a 66,4% do total. A modalidade exige 65 anos para homens e 62 para mulheres, com comprovação de 15 a 20 anos de contribuição.
O perfil dos segurados baianos reflete a estrutura econômica do estado. A filiação mais comum é a de segurado especial — categoria que abrange o pequeno produtor rural, o pescador artesanal e o extrativista que trabalha em regime de economia familiar, sem empregados permanentes. Esse grupo responde por 13.479 dos benefícios aprovados, ou 43,2% do total. A aposentadoria desses trabalhadores é de um salário mínimo e pode ser requerida após 15 anos de atividade — aos 60 anos para homens e 55 para mulheres.
Em 2006, os segurados especiais também lideravam o perfil dos beneficiários na Bahia: foram 33.124 em junho daquele ano, representando 60,3% das concessões. A queda relativa nessa fatia, de 60% para 43%, sugere mudança gradual no perfil dos trabalhadores que chegam à aposentadoria no estado. Para a região do São Francisco, onde pescadores artesanais e agricultores familiares são numerosos, esses dados têm impacto direto na renda de milhares de famílias.
Os dados foram disponibilizados pelo próprio INSS e organizados pela Fiquem Sabendo, entidade especializada em transparência pública. A divulgação abre espaço para avaliar a evolução da previdência social nos estados ao longo de duas décadas — e os desafios fiscais que esse crescimento de despesa impõe ao sistema.







