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Com a Copa 2026 chegando, pequenos negócios apostam em inovação para conquistar o torcedor-consumidor

De embalagens temáticas subsidiadas pelo Sebrae a caixinhas de figurinhas impressas em 3D, empreendedores buscam criar experiências — não apenas vender mais durante o torneio.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Emprego
21 de maio, 2026 · 12:19 4 min de leitura
Empreendedor ajustando embalagem temática verde e amarela em pequeno negócio durante Copa do Mundo 2026
Empreendedor ajustando embalagem temática verde e amarela em pequeno negócio durante Copa do Mundo 2026

Faltam menos de um mês para a Copa do Mundo de 2026 dar início às suas partidas, e o aquecimento já chegou às vitrines e prateleiras dos pequenos negócios brasileiros. Mais do que um calendário cheio de jogos, o torneio vem funcionando como um gatilho para empreendedores repensarem produtos, comunicação e a forma como se conectam com o cliente.

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A movimentação tem respaldo em números. Uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil aponta que 60% dos consumidores pretendem comprar produtos ou contratar serviços durante o período da Copa do Mundo, o equivalente a 99,2 milhões de brasileiros indo às compras por causa da competição. O ticket médio estimado para gastos extras durante o torneio é de R$ 619 por pessoa.

Para quem empreende, a janela vai além do caixa. Segundo informações divulgadas pela Agência Sebrae de Notícias de Alagoas, a empresa Biscoitos D'Lícia desenvolveu uma edição especial de embalagens incorporando as cores da bandeira brasileira — sem abrir mão da identidade visual já consolidada. "A gente fez uma leve mudança para não descaracterizar o produto, mas usando as cores do Brasil, a bandeira e a logomarca. Foi uma mudança discreta e bem apropriada", explicou o diretor Alexandre Malta. A empresa estima repetir resultados como o aumento de 40% nas vendas registrado em edições anteriores da Copa, período em que os encontros entre amigos e familiares naturalmente impulsionam o consumo de alimentos.

O redesign foi viabilizado com apoio do Sebraetec, programa nacional do Sebrae. Pelo Sebraetec, o Sebrae subsidia 70% do valor em serviços de quatro áreas: design, produção e qualidade, desenvolvimento tecnológico e sustentabilidade. Ferramentas como o Sebraetec permitem que empresas tenham acesso a soluções especializadas com investimento reduzido, ampliando a capacidade de inovação dos pequenos negócios.

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Para Cintia Silver, analista da Unidade de Relacionamento Empresarial do Sebrae Alagoas, o momento exige que os empreendedores enxerguem além do curto prazo. Ela destaca que períodos de grande mobilização cultural e emocional, como a Copa do Mundo, representam oportunidades para os pequenos negócios se reposicionarem no mercado — e que o Sebrae vem trabalhando esse incentivo desde o início do ano, por meio de capacitações e consultorias, principalmente com o Sebraetec.

Mas há um alerta importante para quem deseja surfar no clima do torneio. Os empreendedores precisam estar atentos às regras sobre o uso de marcas oficiais: a FIFA detém os direitos sobre elementos como logotipo, identidade visual, mascotes e nomenclaturas oficiais relacionadas à competição. Segundo a estrategista de encantamento Bel Alvi, isso não impede que pequenos negócios explorem o sentimento coletivo despertado pelo evento, desde que o façam de forma estratégica e autêntica: "A emoção da Copa é livre. O sentimento de torcida, os encontros e a vibração coletiva podem, e devem, ser explorados de forma autêntica."

Bel ainda aponta um erro comum entre quem tenta aproveitar o período. Segundo ela, existe uma diferença fundamental entre vender durante a Copa e se tornar parte da memória do cliente. "A primeira gera faturamento imediato. A segunda gera conexão, lembrança e retorno", destacou, de acordo com as informações da Agência Sebrae de Notícias.

Foi exatamente essa lógica de conexão afetiva que levou a empreendedora Marluce França a criar um produto inédito: utilizando impressão 3D, ela desenvolveu uma caixinha especial para guardar figurinhas repetidas do álbum da Copa. O item une praticidade e nostalgia para colecionadores, um nicho movimentado por cada nova edição do torneio. A ideia, segundo ela, surgiu da observação do comportamento das pessoas em torno do ritual de colecionar e trocar figurinhas.

Segundo pesquisas, 7 em cada 10 brasileiros prestam mais atenção em anúncios relacionados à Copa do Mundo. Mas o público não quer mais campanhas excessivamente publicitárias — quer se sentir representado e se divertir. Em 2026, as marcas que conseguem entrar na conversa da torcida de forma natural tendem a gerar mais resultado do que as que apenas "patrocinam" o evento.

A Copa do Mundo cria um cenário único de consumo: diferente de outras datas comemorativas, ela combina emoção, urgência e interação social, o que impacta diretamente na decisão de compra. O consumidor não está apenas comprando um produto, mas buscando melhorar a experiência de assistir aos jogos. Para os pequenos negócios que souberem explorar esse sentimento, o torneio pode ser muito mais do que um pico de vendas — pode ser o momento em que a marca grava o próprio nome na memória do cliente.

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