A Bahia registrou o resgate de aproximadamente 1,1 mil trabalhadores em situação análoga à escravidão entre os anos de 2018 e 2025. O balanço, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), revela que foram realizadas 134 operações de fiscalização em todo o território baiano durante esse período.
Com esses números, o estado ocupa a quarta posição entre as unidades da federação com mais resgates no Brasil. O ranking nacional é liderado por Minas Gerais, seguido por Goiás e São Paulo. No total, mais de 16,2 mil pessoas foram libertadas dessas condições em todo o país.
Ao menos 57 cidades baianas foram alvos das equipes de fiscalização. Salvador lidera o triste ranking estadual com 366 resgates, seguida por Camaçari, com 166, e Jacobina, com 122 casos. No norte da Bahia, as cidades de Gentio do Ouro e Várzea Nova também tiveram registros graves em atividades rurais.
Um dos casos de maior repercussão ocorreu em Camaçari, em 2024, onde 163 trabalhadores chineses foram encontrados em alojamentos precários durante a construção de uma montadora. Eles tinham passaportes retidos, eram vigiados por seguranças armados e viviam sem as mínimas condições de higiene.
No interior do estado, a realidade envolve a extração de palha e sisal. Em operações recentes, fiscais flagraram trabalhadores bebendo água armazenada em galões de produtos químicos e recebendo salários abaixo do mínimo legal, sem qualquer equipamento de proteção.
O perfil das vítimas na Bahia mostra que os homens são a maioria, somando 617 dos resgatados, enquanto 314 são mulheres. A faixa etária predominante é de adultos entre 30 e 64 anos, mas os dados também revelam casos envolvendo idosos e até nove crianças e adolescentes.







