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Cultura

Wagner Moura: "represento imigrantes" ao manter sotaque baiano

Ator criado em Rodelas, na Bahia, diz que manter o sotaque nas produções internacionais é uma escolha política.

Redação ChicoSabeTudo
04 de agosto, 2026 · 06:12 2 min de leitura
Wagner Moura em entrevista ao Conversa com Bial, gravada em Atenas, na Grécia
Wagner Moura em entrevista ao Conversa com Bial, gravada em Atenas, na Grécia

O ator Wagner Moura deixou claro que não é por falta de domínio do inglês que seu sotaque baiano aparece em cada produção internacional em que atua. É uma decisão consciente — e, segundo ele, política. Em entrevista ao programa Conversa com Bial, exibida nesta terça-feira (4) pela TV Globo, Moura afirmou que se recusa a neutralizar a própria fala porque se enxerga como representante de uma parcela enorme da população.

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"Eu não quero falar sem sotaque. Acho que represento uma parcela gigante das pessoas que moram naquele país: gente que fala com sotaque, gente imigrante. Politicamente, me sinto muito confortável em dizer que não quero fazer isso", declarou o ator.

Nascido em Salvador e criado em Rodelas, pequena cidade do sertão baiano às margens do Rio São Francisco, Moura carrega as origens nordestinas como parte essencial de sua identidade artística. Rodelas foi inundada no fim dos anos 1980 após a construção de uma barragem, forçando seus moradores — incluindo a família do ator, ainda criança — a deixarem a cidade para trás.

A entrevista foi gravada em Atenas, na Grécia, onde Moura está em turnê europeia com o espetáculo teatral O Julgamento. A peça foi criada ao lado de Cristiane Jatahy e Lucas Paraízo a partir da obra Um Inimigo do Povo, de Henrik Ibsen, e propõe uma reflexão sobre democracia, polarização e o papel da verdade na sociedade contemporânea.

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Vencedor do Globo de Ouro de Melhor Ator em Filme de Drama por O Agente Secreto, Moura consolidou uma carreira sólida no exterior sem abrir mão de suas raízes. Formado em Jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), ele começou nos palcos de Salvador antes de chegar ao cinema nacional com títulos como Tropa de Elite e, mais tarde, à projeção mundial com a série Narcos, da Netflix, em que interpretou o narcotraficante Pablo Escobar.

Para o ator, o sotaque não é um detalhe técnico a ser corrigido: é a matéria-prima de quem ele é diante das câmeras e fora delas.

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