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Cultura

Saulo defende protagonismo de mulheres negras no carnaval de Salvador

Saulo Fernandes usou o carnaval de Salvador para homenagear mulheres negras e defender seu protagonismo, pedindo que "o Brasil e o mundo precisam ser devolvidos" a elas.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Cultura
15 de fevereiro, 2026 · 16:57 3 min de leitura
Foto: Laiane Apresentação/Bahia Notícias
Foto: Laiane Apresentação/Bahia Notícias

O carnaval de Salvador, na Bahia, ganhou um brilho especial com a tradicional Pipoca de Saulo, que arrastou milhares de foliões pelo Circuito Osmar, no Campo Grande. Mas, além da música e da alegria contagiante, o cantor Saulo Fernandes aproveitou seus figurinos e falas para mandar um recado potente e urgente sobre o papel das mulheres negras na sociedade.

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Em uma conversa exclusiva antes de subir no trio, Saulo revelou que suas escolhas de figurino não eram apenas estética, mas um manifesto. Suas roupas foram um tributo a grandes mulheres pretas da história, e ele enfatizou a importância de, nas suas palavras, “devolver o Brasil e o mundo para elas”.

Um recado direto e necessário

“É porque eu quero falar das mulheres pretas. Eu acho que o mundo e o Brasil precisam ser devolvidos a uma mulher preta. Tudo nasceu de uma mulher preta, tudo nasceu da África e a gente precisa devolver. No dia que uma mulher preta tomar posse de tudo, aí o mundo vai melhorar. E aí, sobretudo as baianas, né? Eu falei de Mãe Stella também no primeiro dia. Tem mais outras baianas maravilhosas”, explicou Saulo, com a voz carregada de convicção.

Para o artista, a história e o futuro do Brasil e do mundo estão intrinsecamente ligados ao reconhecimento e à valorização das mulheres negras. Sua fala ressalta a ancestralidade e a força feminina preta como pilares para um futuro melhor.

Homenagens em cada detalhe

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Ao longo dos três dias de sua Pipoca, Saulo utilizou a mortalha branca, um símbolo de paz e tradição, para exaltar personalidades femininas negras que marcaram suas áreas:

  • Primeiro dia: A homenagem foi para Mãe Stella de Oxóssi. Nas costas do figurino, o nome da ialorixá, escritora e primeira mulher eleita por unanimidade para a Academia de Letras da Bahia. Na frente, uma foto da icônica líder religiosa, que morreu em dezembro de 2018.
  • Segundo dia: Saulo voltou a vestir a mortalha branca, desta vez com o nome de Wanda Chase. A jornalista foi uma referência como ativista do movimento negro e especialista em carnaval e música baiana, que nos deixou em janeiro de 2025.
  • Terceiro e último dia: O nome escolhido foi o de Negra Jhô. Reconhecida trancista, empresária da área de estética e grande multiplicadora da cultura afro.

Essas escolhas demonstram a amplitude do impacto das mulheres negras em diversas esferas, desde a religião e literatura até o ativismo e o empreendedorismo cultural.

A alegria das pipocas e o povo na rua

Além da forte mensagem social, Saulo também falou sobre o seu lado folião. Questionado sobre quais pipocas ele gosta de curtir no carnaval, o cantor demonstrou um amor genuíno pela manifestação popular.

“Eu gosto de todas. Não estou sendo demagogo não, mas eu gosto de todas porque, como eu falei, o que eu acho mais bonito é o povo na rua tomando a rua: ‘me dê a rua que a rua é minha’, sabe? Há pouco tempo atrás isso não existia. Eu cito a pipoca do Kannário, BaianaSystem, que eu acho incrível. A pipoca de Ivete (Sangalo) também, que tem uma pipoca grande. A pipoca de Bell continua incrível, né? Também tem Psirico, ah, tem muitas”, declarou.

Para Saulo, a essência do carnaval está na ocupação das ruas pelo povo, na liberdade de expressão e na força coletiva. Suas homenagens e sua valorização da cultura popular mostram que o carnaval pode ser, sim, um espaço de festa, mas também de reflexão e de mensagens poderosas sobre inclusão e respeito.

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