Salvador perdeu, na última sexta-feira (17), o artista plástico Ramiro Bernabó. Ele morreu aos 79 anos, em Salvador. Filho do renomado artista Carybé, ele enfrentava problemas de saúde havia algum tempo e não resistiu após uma sequência de complicações clínicas.
O velório aconteceu na manhã deste sábado (18), a partir das 8h, no Cemitério Jardim da Saudade, na capital baiana. A cremação estava prevista para as 10h.
Segundo familiares, Ramiro vinha enfrentando um período delicado de saúde. Nos últimos meses, passou por infecções, chegou a ser hospitalizado e apresentou melhora, mas voltou a ter complicações. Já em casa, recebia assistência de uma equipe de home care e era acompanhado de perto pela família. Nos dias que antecederam a morte, seu quadro respiratório se agravou, e ele acabou não resistindo.
Ramiro Bernabó nasceu em Buenos Aires em 1947 e mais tarde tornar-se-ia escultor. Ainda criança, mudou-se para Salvador, onde se radicou e construiu sua trajetória artística. Era filho de Carybé — cujo nome de batismo era Hector Julio Páride Bernabó — com a também artista plástica Nancy Bernabó. Em 1946, Carybé havia se casado com Nancy, com quem teve dois filhos: o artista plástico Ramiro e a bióloga Solange.
Autodidata, Ramiro transitou entre o desenho, a pintura, a gravura e a escultura, tornando-se especialmente reconhecido por suas esculturas em madeira e por um universo expressionista muito próprio. Ramiro Bernabó chegou a ter exposições individuais e de grupo em todo o mundo, com um trabalho que oferecia perspectivas em vários temas, de forma acessível para muitos públicos diferentes. Em 1973, pai e filho chegaram a expor juntos em São Paulo, na mostra "Carybé e Ramiro Bernabó", em A Galeria.
A ligação de Ramiro com o mundo das artes em Salvador ia além da família. A amizade entre as famílias Cravo e Bernabó se estendeu pelas gerações seguintes, e Ramiro frequentava habitualmente o ateliê de Mario Cravo. O próprio Ramiro destacou, em entrevista ao Correio, a herança poética que carregou do pai: com Carybé, ia a lugares que inspiravam o pai, como as praias e as feiras populares de Salvador, e acreditava carregar uma "poética" nas suas obras de arte.
A morte de Ramiro provocou manifestações de pesar entre amigos e integrantes do meio cultural. O artista visual Leonel Mattos lamentou a perda e destacou a relevância de sua produção. Leonel também afirmou que a obra de Ramiro foi pouco valorizada pelo mercado de arte e defendeu que seu legado tende a ganhar reconhecimento com o passar do tempo.
Carybé, referência das artes plásticas baianas e brasileiras, havia morrido em outubro de 1997. Frequentador do terreiro de candomblé Ilê Axé Opô Afonjá, Carybé morreu aos 86 anos durante uma cerimônia no próprio terreiro, deixando como legado mais de 5.000 trabalhos, entre pinturas, desenhos, esculturas e esboços. Agora, quase três décadas depois, Salvador também despede-se do filho que seguiu os passos do mestre e fez da arte sua vida inteira.







