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Cultura

Salvador marca dez anos do EIMNUQ com encontro internacional de mulheres negras e quilombolas neste fim de semana

Evento reúne ativistas do Brasil e de quatro países africanos no Pelourinho e na Pituba, com marcha, debates sobre eleições de 2026 e cooperação internacional até este domingo.

Redação ChicoSabeTudo
23 de julho, 2026 · 20:14 3 min de leitura
Mulheres negras e quilombolas reunidas no EIMNUQ em Salvador, Bahia
Mulheres negras e quilombolas reunidas no EIMNUQ em Salvador, Bahia

Salvador é palco, entre os dias 24 e 26 de julho, da 10ª edição do Encontro Internacional de Mulheres Negras Urbanas e Quilombolas (EIMNUQ). A décima edição é também a mais simbólica: uma década desde que a iniciativa ganhou forma como espaço permanente de articulação política entre mulheres negras de zonas urbanas e de comunidades quilombolas.

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O evento reúne lideranças comunitárias, ativistas e pesquisadoras do Brasil e de países africanos para discutir equidade racial, defesa dos territórios tradicionais, combate ao racismo estrutural e fortalecimento das políticas públicas voltadas às populações negras.

Com o tema "Refletindo Lutas e Conquistas de uma Década", a edição comemorativa celebra os dez anos da iniciativa e propõe uma avaliação dos avanços conquistados pelo movimento, além da construção de estratégias para ampliar a incidência política de mulheres negras urbanas e quilombolas nos próximos anos.

Segundo informações divulgadas pela organização, as atividades acontecem na Associação Protetora dos Desvalidos (SPD) e na Praça Tereza Batista, ambas no Pelourinho, além do Hotel Real Classic, na Pituba. O EIMNUQ é organizado anualmente pela SPD, a organização civil negra mais antiga do Brasil, fundada em 1838.

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Um dos momentos centrais do encontro será a Marcha das Mulheres Negras, marcada para o dia 25 de julho, às 8h, com concentração na Praça da Piedade, em Salvador. A mobilização faz parte do Julho das Pretas, agenda nacional que celebra o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e o Dia Nacional de Tereza de Benguela. O Dia Internacional nasceu durante o 1º Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, realizado em 1992, na República Dominicana, e posteriormente foi reconhecido pela ONU.

Ainda no sábado, de acordo com a programação divulgada pelos organizadores, ocorre debate sobre os desafios da representação política feminina negra nas eleições de 2026, reunindo lideranças como Vilma Reis, Eliete Paraguassu, Maria Benilda Pereira, Marizete Pires, Patricia Pinheiro e Delliana Ricelli Ribeiro.

A programação contará com representantes de Angola, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, além de lideranças de comunidades quilombolas brasileiras como Tijuco, Palmares, Jequitibá, Flores, Mulungu, Serra Grande, Rocinha, Nuguaçu, Barriguda e Corcovado. No último dia do encontro, o foco será justamente essa cooperação internacional, com uma roda de diálogo sobre a atuação política e social das mulheres africanas e da diáspora.

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Segundo a organização, o evento se encerra com a elaboração da Carta Compromisso, documento que reunirá as principais propostas debatidas ao longo dos três dias. Os kits entregues às participantes serão confeccionados com materiais recicláveis e produzidos por comunidades quilombolas — iniciativa que busca fortalecer a economia local e valorizar a produção tradicional.

Os avanços e impactos desde o primeiro encontro, realizado em 2017, comprovam a importância de fortalecer as mulheres negras no contexto social e político em Salvador, na Bahia e no Brasil. Para além desta edição, segundo os organizadores, o EIMNUQ passará por um processo de reorganização institucional em 2027, com o objetivo de ampliar sua atuação e fortalecer sua rede de articulação.

O encontro é realizado pela SPD, pelo Instituto Renascer Mulher e pela Rota dos Quilombos, com apoio da Fundação Rosa Luxemburgo e do Instituto Ibirapitanga.

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