A energia e a tradição do Carnaval na Bahia ganharam um novo símbolo de sustentabilidade. Neste domingo (14), Maria Emília Bittencourt, uma respeitada baiana de acarajé com impressionantes 65 anos de carreira, recebeu o honroso título de embaixadora do Carnaval Sustentável. A cerimônia, que celebrou a união entre cultura e responsabilidade ambiental, foi organizada pela Secretaria de Sustentabilidade, Resiliência, Bem-estar e Proteção Animal (Secis).
Aos 65 anos de dedicação à sua profissão, Maria Emília não escondeu a emoção ao ser reconhecida por sua trajetória e por representar um movimento tão importante. Sua vida é um exemplo de perseverança e orgulho cultural, e ela agora assume um papel de destaque na promoção de práticas mais ecológicas dentro da maior festa popular do Brasil.
"Gratidão, muita honra e felicidade por tudo que eu consegui e por tudo que eu fiz. Tenho orgulho de ser baiana de acarajé, ser mãe e bisavó de baiana de acarajé", disse a homenageada, com a voz embargada pela emoção e o brilho nos olhos de quem carrega uma história rica.
Cultura e Sustentabilidade de Mãos Dadas
Ivan Euler, que comanda a Secis, explicou a importância simbólica de ter uma baiana de acarajé como embaixadora do Carnaval Sustentável. Para ele, essas mulheres são a própria personificação da cultura baiana, guardiãs de uma tradição que vai muito além da culinária, representando a força e a resiliência de um povo. A escolha de Maria Emília conecta essa riqueza cultural diretamente com a necessidade urgente de um futuro mais verde.
Nos últimos anos, a secretaria tem investido em projetos de ESG (Governança Ambiental, Social e Corporativa) voltados para as baianas de acarajé, mostrando que o desenvolvimento sustentável pode e deve caminhar lado a lado com a preservação cultural e o empoderamento econômico. Entre as iniciativas, destacam-se:
- Uma capacitação especial sobre sustentabilidade, oferecida a 15 baianas, na qual Maria Emília Bittencourt se destacou e foi escolhida para este novo papel.
- Um treinamento abrangente para mais de 100 baianas, ensinando a transformar o azeite de dendê usado — um resíduo comum em seu trabalho — em sabão. Essa ação não só evita o descarte incorreto do óleo, que polui rios e solos, mas também abre uma nova e inteligente fonte de renda para essas trabalhadoras, valorizando o reuso e a economia circular.
A nomeação de Maria Emília é um passo significativo para um Carnaval mais consciente, onde a alegria da festa se une à responsabilidade com o meio ambiente e com as comunidades locais. Sua voz agora ecoa não só a tradição do acarajé, mas também o chamado por um futuro mais sustentável para todos.







