Paulo Afonso · BA
Última hora
PI 637
Cultura

Jornalista paulistana formada em Alagoas vai levar história de sufragista negra a estudantes do ensino médio

Indicada pela secretária de Comunicação de Maceió, Mica Pereira fala neste domingo sobre Almerinda Farias Gama nos Diálogos Afro-Pedagógicos do Instituto Raízes de Áfricas.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Cultura
23 de maio, 2026 · 22:51 3 min de leitura
Portal ChicoSabeTudo
Portal ChicoSabeTudo

Uma jornalista nascida na zona leste de São Paulo, formada pela Universidade Federal de Alagoas, vai sentar com estudantes do ensino médio para falar sobre uma mulher negra que viveu há um século e que, como ela, escolheu o jornalismo como profissão. Michaella Pereira, conhecida como Mica Pereira, participa neste domingo, 25 de maio, dos Diálogos Afro-Pedagógicos, evento promovido pelo Instituto Raízes de Áfricas, em Marechal Deodoro (AL).

Publicidade

A atividade acontece na Escola Estadual Rosa Maria Paulino da Fonseca, das 13h às 16h40, e tem como tema central a trajetória de Almerinda Farias Gama — advogada, jornalista, sindicalista e sufragista negra nascida em Maceió em 16 de maio de 1899. Mica foi indicada para o evento pela jornalista Eliane Aquino, secretária de Comunicação da Prefeitura de Maceió.

A escolha de Mica não é casual. A jovem jornalista traçou um caminho parecido ao de Almerinda: saiu da zona de conforto, desafiou distâncias geográficas e apostou na comunicação como ferramenta de transformação. O paralelo entre as duas é o próprio fio condutor da conversa com os jovens. O título da fala resume bem isso: "Almerinda Farias Gama, uma mulher negra histórica, jornalista como eu, Mica Pereira."

Feminista, sufragista, advogada, nordestina e líder sindicalista, Almerinda Farias Gama foi uma mulher negra pioneira na luta pelo voto feminino no Brasil. Sindicalista, jornalista e feminista, ela foi ofuscada pelas colegas brancas e de classe alta que se tornaram os rostos públicos do sufrágio feminino. Na ocasião histórica de julho de 1933, Almerinda representava o Sindicato das Datilógrafas e Taquígrafas do Distrito Federal, tornando-se a única mulher a votar como delegada na eleição dos representantes classistas para a Assembleia Nacional Constituinte.

Publicidade

Durante muito tempo, a trajetória e importância política de Almerinda foram silenciadas como parte de uma estratégia racista que costuma deslegitimar o protagonismo de mulheres negras. Esse apagamento se torna ainda maior pelo fato de ela ser uma mulher negra. Nos últimos anos, pesquisas e publicações têm ajudado a resgatar seu nome — e agora a iniciativa chega às salas de aula.

Os Diálogos Afro-Pedagógicos levam às escolas de ensino médio uma proposta de letramento racial. A ideia é despertar a consciência dos jovens para as estruturas que alimentam o racismo, usando a história de mulheres negras reais como ponto de partida. A ação conta com apoio da Secretaria de Estado da Mulher, da Secretaria Municipal de Comunicação de Maceió, do deputado Paulão e de Jó Pereira, segundo informações divulgadas pelo portal Cada Minuto.

Uma muda de Baobá — a árvore sagrada de origem africana — vai ser plantada pela primeira vez em Marechal Deodoro, município alagoano conhecido por ser a terra natal do proclamador da República. O ato está programado para o dia 25 de maio, na Escola Estadual Rosa Maria Paulino da Fonseca, e integra os chamados Diálogos Afro-Pedagógicos.

A iniciativa é do Projeto Baobá, criado em 2021 pelo Instituto Raízes de Áfricas em parceria com a então deputada estadual Jó Pereira. O objetivo do projeto é africanizar, a partir do plantio da árvore mãe, territórios com raízes na sacralidade e ancestralidade do povo negro.

Entre Almerinda Farias Gama e Mica Pereira há um século de distância — e um fio direto de continuidade. A sufragista negra que usava a máquina de escrever para fazer política e a jovem jornalista que cruzou o Brasil para estudar comunicação carregam, cada uma no seu tempo, o mesmo ofício e os mesmos obstáculos. É exatamente esse espelho que os Diálogos Afro-Pedagógicos querem mostrar aos estudantes de Marechal Deodoro neste domingo.

Leia também