O quinto dia do Carnaval de Salvador, na Bahia, na última segunda-feira de folia, entregou uma mistura de momentos: teve emoção com homenagens, a alegria contagiante de um jovem folião, e, claro, algumas tensões e polêmicas que movimentaram os trios elétricos e as redes sociais.
Um dos destaques do dia foi a participação especial de Marcelo Sangalo, o filho de Ivete Sangalo. O jovem de 16 anos surpreendeu a todos ao descer do trio elétrico da mãe e se misturar com a pipoca, bem no meio dos foliões do Bloco Coruja, no Circuito Dodô. Marcelo mostrou muita simpatia, tirando fotos e pulando com o público, provando que a paixão pelo Carnaval corre nas veias da família. Ele curtiu a apresentação da mãe como um verdadeiro folião, sem cordão de proteção, apenas aproveitando a festa.
Antes de o filho roubar a cena, a própria Ivete Sangalo abriu seu segundo dia de desfile com uma linda homenagem a Preta Gil. A cantora lembrou da amiga, que morreu no ano passado vítima de câncer, e da tradição de se encontrarem às segundas-feiras no Carnaval.
"Quando eu saía na segunda, às vezes ela chegava um pouquinho mais tarde por conta dos compromissos dela. A segunda-feira era uma certeza que ela estaria aqui me esperando. E ela está aqui me esperando. Não está na matéria, mas está no espírito, está na energia dela", disse a artista.
Em seguida, Ivete cantou "Sinais de Fogo", música de Preta, e o público a acompanhou em um coro emocionante, com palmas e gritos em homenagem à filha de Gilberto Gil.
Daniela Mercury defende união e vive drama na fila dos trios
A Rainha do Axé, Daniela Mercury, também teve um dia agitado. Em entrevista, ela fez um apelo pela união entre os artistas e pediu para acabar com a rivalidade, especialmente após as recentes discussões sobre a ordem de saída dos trios elétricos. Daniela reforçou que nunca falaria mal de um colega e que está aberta ao diálogo para resolver as questões.
"Nunca vão me ver falando alguma coisa dos meus colegas porque a vida da gente é muito difícil, mas a gente, entre nós, precisa ter esse espírito de amizade e de carinho e é isso que a gente tá propondo. Que a gente resolva, arrume a casa", afirmou.
Porém, logo ao iniciar seu desfile no Circuito Dodô (Barra-Ondina), a própria Daniela se viu em uma situação delicada com a fila. O trio do Psirico, de Márcio Victor, estava à sua frente. Daniela, que defende ter aberto o circuito e, por isso, deveria sair primeiro, acabou ultrapassando o trio do Psirico quando o veículo teve um problema mecânico e ficou parado. Ela aproveitou para mandar um recado bem-humorado:
"Márcio Victor, te amo, te amo, mas você que sabe de tudo, o lugar era nosso! Então a gente só está ocupando o nosso lugar, um beijo! Amo você! Nós e o Gandhy, antiguidade é posto", brincou.
Márcio Victor, do Psirico, respondeu à Rainha com muito carinho, reforçando que não há desavenças entre eles.
"Daniela Mercury, você é a minha rainha. Eu queria falar aqui que Daniela Mercury merece todo carinho e todo respeito do mundo. Eu amo minha amiga Daniela. Eu acho que o Carnaval precisa ter mais respeito principalmente para as mulheres que merecem todo respeito do mundo. Mulher é pra ser respeitada e Daniela Mercury é a nossa Rainha", declarou o cantor.
Mais tarde, Daniela Mercury foi vista chorando de emoção e fez um discurso forte em defesa das religiões de matriz africana, mostrando a intensidade dos sentimentos vividos no Carnaval.
Acusação de racismo contra Carla Perez e pedido de desculpas
Outro momento que gerou bastante repercussão foi a acusação de racismo contra Carla Perez. Um vídeo gravado no Bloco Algodão Doce, na despedida da artista, se espalhou rapidamente nas redes sociais. Nele, Carla aparece nos ombros de um segurança negro enquanto fala com os fãs.
Muitos internautas interpretaram a cena como um ato racista, com comentários como: "Brasil, século XXI? 2026, Sinhá (Carla Perez) e seu serviçal em pleno Carnaval de Salvador".
Na noite de segunda-feira, Carla Perez se manifestou oficialmente através de uma nota, pedindo desculpas pelo ocorrido. A artista assumiu o erro e explicou que sua intenção era apenas ter contato físico com as crianças devido à sua estatura, mas reconheceu o peso da imagem:
"Eu subi nos ombros do segurança para conseguir ter o contato físico e, portanto, estar mais próxima das minhas crianças, em momentos pontuais do percurso, devido minha estatura. A imagem que ficou é dura, e eu reconheço isso. Ainda que a intenção tenha sido boa, a cena reproduz simbologias que nos atravessam enquanto sociedade. Remete a desigualdades históricas que estruturam o nosso país e que jamais podem ser naturalizadas. Nada justifica. Absolutamente nada. Peço desculpas, de forma direta e sincera. Reconhecer o erro é o meu primeiro passo. O segundo é agir. Reafirmo meu compromisso inegociável de combater qualquer prática ou simbologia que reforce o racismo estrutural", completou a dançarina.
Bell Marques e a reclamação dos Filhos de Gandhy
Por fim, Bell Marques também enfrentou uma pequena controvérsia. O tradicional Afoxé Filhos de Gandhy reclamou do horário de saída do Bloco Camaleão, puxado por Bell. De acordo com um porta-voz do Afoxé, havia um acordo para que o artista saísse antes das 16h, o que não teria acontecido. Mais um ponto de debate no quinto dia de folia.
O Carnaval de Salvador segue, mostrando que a festa não para de gerar notícias, seja pela alegria, pela emoção ou pelos debates que surgem entre um trio e outro.







