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Cultura

Filha de Lampião, com 93 anos, participa da Missa do Cangaço na Grota de Angico 88 anos após a tragédia

Expedita Ferreira, única filha do casal, estava com cinco anos quando os pais morreram na emboscada de 1938; ela marcou presença na 29ª edição da celebração em Sergipe ao lado de familiares e pesquisadores.

Redação ChicoSabeTudo
29 de julho, 2026 · 06:45 2 min de leitura
Participantes da 29ª Missa do Cangaço reunidos na Grota de Angico, em Sergipe
Participantes da 29ª Missa do Cangaço reunidos na Grota de Angico, em Sergipe

Oitenta e oito anos depois da emboscada que matou Lampião, Maria Bonita e outros nove cangaceiros na Grota de Angico, o local voltou a reunir descendentes, pesquisadores, professores, turistas e admiradores do cangaço. A 29ª Missa do Cangaço foi realizada nesta terça-feira (28), em Sergipe, data exata em que o episódio completou mais um aniversário.

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O momento de maior simbolismo da edição deste ano foi a presença de Expedita Ferreira, 93 anos. Única filha de Lampião e Maria Bonita, ela tinha apenas cinco anos quando os pais foram mortos durante a ação policial. Expedita participou da programação acompanhada da filha Vera Ferreira e de outros familiares do casal.

Vera Ferreira é também a fundadora da Oscip Sociedade do Cangaço, responsável pela organização da missa há anos. A celebração parte do Porto de Piranhas, em Alagoas: segundo a fonte, os participantes embarcaram em catamarã pela manhã e seguiram pelo Rio São Francisco até a grota, onde a missa foi celebrada às 10h30. O percurso de barco é parte da memória histórica do local, já que foi por ali que as forças policiais chegaram ao esconderijo do bando em 1938.

A Grota de Angico fica no Monumento Natural entre os municípios sergipanos de Poço Redondo e Canindé de São Francisco. Foi ali que, na madrugada do dia 28 de julho de 1938, a volante comandada pelo tenente João Bezerra surpreendeu o bando enquanto ainda descansava. Lampião, Maria Bonita e nove cangaceiros morreram no confronto. Depois, os corpos foram decapitados e as cabeças levadas para Piranhas, onde foram expostas publicamente — um dos episódios mais brutais da história do sertão nordestino.

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Além da missa, a programação deste ano incluiu apresentações culturais, música ao vivo e a participação de estudiosos do cangaço. Segundo informações divulgadas pelo portal Sertão 142, a cerimônia religiosa foi seguida do descerramento de uma placa e de um busto em homenagem ao escritor e pesquisador Antônio Amaury, referência nos estudos sobre Lampião e o período do cangaço.

O cangaço foi um fenômeno de banditismo rural que marcou o Nordeste brasileiro, especialmente nas décadas de 1920 e 1930. Lampião liderou seu grupo por cerca de 18 anos, atuando em diferentes estados da região. Para parte da população sertaneja, os cangaceiros representavam uma forma de resistência às injustiças da época; para outros, deixaram um legado marcado por violência e confrontos. Esse debate ainda persiste.

A diversidade do público reunido na Grota de Angico — descendentes, educadores, moradores da região, visitantes de vários estados — mostra que a história do cangaço continua atravessando gerações. Em sua 29ª edição, a Missa do Cangaço mantém o local não apenas como cenário de um dos acontecimentos mais conhecidos do sertão, mas como espaço vivo de memória, religiosidade e cultura nordestina.

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