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Cultura

Estudantes da periferia de Petrolina viram autores publicados em coletânea literária que chega ao Juá Literária

Com 26 jovens escritores da escola Mãe Vitória, o livro "Vozes da Periferia" será lançado em Juazeiro (BA) no dia 23 de julho e, em setembro, no Sesc Petrolina.

Redação ChicoSabeTudo
20 de julho, 2026 · 12:22 2 min de leitura
Portal ChicoSabeTudo
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Vinte e seis estudantes da Escola Municipal de Educação em Tempo Integral Mãe Vitória, no bairro Jatobá, em Petrolina (PE), passaram de alunos de Língua Portuguesa a autores de um livro publicado. A coletânea "Vozes da Periferia", organizada pela professora Ana Júlia Lima, natural de Juazeiro (BA), reúne contos, poemas, prosas poéticas e poesias blackout em 80 páginas que colocam no centro da literatura histórias nascidas nas margens.

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A obra será lançada no Festival Juá Literária no dia 23 de julho, às 16h, em formato de mesa literária com a participação de três autores. Ana Júlia Lima divide a Mesa Literária 03 com Adérica Campos, autora de "Poesias para Fantasmas", e Daniel Marinho, de "Éflúvios". O evento acontece em Juazeiro (BA), cidade natal da professora e palco de um dos maiores festivais literários do Nordeste.

O Festival Juá Literária 2026 acontece entre os dias 20 e 25 de julho e reúne cerca de 180 atividades gratuitas, incluindo shows musicais com nomes como Adriana Calcanhotto e Oswaldo Montenegro. Segundo informações divulgadas pela fonte original, um segundo lançamento está previsto para o dia 3 de setembro, às 19h, na Biblioteca do Sesc Petrolina, com sessão de autógrafos e bate-papo entre os jovens autores e o público.

Publicado pela Editora Vecchio, o projeto nasceu de uma disciplina eletiva de escrita criativa e se transformou em uma experiência de formação literária, escuta e pertencimento. A Escola Municipal Mãe Vitória oferece ensino fundamental a alunos do bairro Jatobá e integra a rede de tempo integral da secretaria municipal de educação de Petrolina.

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Para a professora Ana Júlia Lima, o livro representa mais do que um projeto pedagógico. Segundo informações divulgadas pela fonte, ela destaca que "ensinar Língua Portuguesa vai muito além da gramática" e que educar também é criar espaços de escuta e de expressão para que a escrita circule para além da sala de aula. A professora conta ter acompanhado jovens com a autoestima fragilizada descobrirem na escrita uma forma de falar sobre quem são e sobre o lugar onde vivem.

Entre as revelações da coletânea está a estudante Raiani Leite, de 14 anos. Segundo informações divulgadas pela fonte original, a jovem assina uma das narrativas mais impactantes da obra, conduzindo o leitor por uma história sobre infância, fome e sobrevivência. Para ela, publicar o livro é um ato coletivo: "esse livro representa um ato de rebelião de todas as vozes que não foram ouvidas e que clamam por uma faísca de esperança", declarou a estudante, conforme relato da fonte.

Entre memórias, revoltas, sonhos, perdas e afetos, os estudantes escrevem sobre si mesmos e sobre a realidade que os cerca, revelando que a literatura também pode nascer nas margens. A obra mostra que talento não depende de CEP — depende de oportunidade. E quando ela surge, como fez a professora Ana Júlia ao criar a eletiva de escrita criativa, palavras antes silenciadas encontram páginas para existir.

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