Uma decisão da Justiça da Bahia que garantiu à cantora Daniela Mercury e ao seu Bloco Crocodilo a prioridade no horário de desfile no Carnaval de Salvador, na Bahia, agora enfrenta resistência. O prefeito Bruno Reis (União Brasil) confirmou nesta sexta-feira (13) que o Conselho Municipal do Carnaval e Outras Festas Populares (Comcar) e alguns blocos vão recorrer dessa determinação judicial.
A polêmica gira em torno da ordem de apresentação dos trios elétricos no circuito Dodô (Barra-Ondina). A Justiça decidiu que o Bloco Crocodilo voltará a abrir os desfiles no domingo de Carnaval, a partir das 15h30, retomando sua posição histórica. Essa vitória veio após o reconhecimento judicial do pioneirismo do bloco, que inaugurou o trajeto em 1996 e tem desfilado de forma ininterrupta desde então, baseando-se no critério de antiguidade previsto no regulamento oficial do Carnaval.
Em entrevista, Bruno Reis explicou a posição da prefeitura. Ele destacou que a organização da fila dos trios é responsabilidade do Comcar, um órgão com autonomia própria que considera diversos critérios, incluindo a história de cada bloco. “Decisão judicial não se questiona, se cumpre e se recorre”, afirmou o prefeito. Ele complementou que, nesse cenário, cabe à prefeitura apenas aplicar multas ou punições caso alguém não cumpra o horário estabelecido. “O que eu tenho conhecimento é que o Comcar vai recorrer e que outros artistas recorrerão”, disse.
Entenda a polêmica e a decisão da Justiça
Nos últimos anos, o Bloco Crocodilo vinha sendo deslocado para horários mais tardios, perdendo sua posição para blocos mais recentes. Essa mudança motivou a ação judicial de Daniela Mercury. O juiz responsável pelo caso não só reconheceu a antiguidade do bloco, como também enfatizou o princípio da segurança jurídica, dada a participação contínua do Crocodilo no circuito desde sua criação.
Com essa decisão, o Conselho Municipal do Carnaval (Comcar) e a Empresa Salvador Turismo (Saltur) são obrigados a restabelecer imediatamente a ordem histórica de desfile, garantindo a primeira posição ao bloco nos dias programados. Se não cumprirem, uma multa diária de R$ 100 mil pode ser aplicada.
A situação que levou Daniela Mercury à Justiça tem um histórico recente. Em 2025, a Rainha do Axé viveu momentos de tensão com o cantor Tony Salles durante o Carnaval. Os trios se aproximaram demais, causando interferência sonora e gerando um bate-boca. Daniela chegou a parar sua apresentação para reclamar publicamente da “falta de respeito”.
“Muito feio encostar na gente assim, viu? Carnaval não pode ser assim não, viu Tony? Respeite que não sou moleca, rapaz. Ficou feio, viu bicho”, desabafou Daniela na ocasião.
Tony Salles, por sua vez, mencionou atrasos e a necessidade de cumprir horários, mostrando que não gostou do pronunciamento da colega. Essa experiência levou Daniela a fazer um apelo antes do Furdunço deste ano, pedindo para não ser “empurrada” durante suas apresentações, reforçando a necessidade de respeitar a ordem e a distância entre os trios.
“O lógico do Carnaval é que a gente mantenha distância, porque os trios elétricos são muito potentes. Se vocês ficarem aqui em cima mais tempo, vocês ficam confusos com o som de dentro e de fora. Então, é preciso dar um espaço. [...] Eu já fiz 11 horas de percurso. Tenho muitos anos de Carnaval e nunca empurrei ninguém, então não me empurre não. Só isso. Não me empurre e não empurre ninguém, porque não é legal fazer isso”, comentou a artista.
Para celebrar os 30 anos do Circuito Barra-Ondina e a trajetória pioneira do Bloco Crocodilo, Daniela Mercury também sairá no formato pipoca na segunda-feira de Carnaval. A cantora convidou os foliões a usarem abadás antigos, promovendo um clima de memória e tradição na festa.







