A secretária de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (Sepromi), Ângela Guimarães, já coloca o samba e a população negra no centro das discussões para o Carnaval de 2026. Em uma entrevista reveladora à equipe do Bahia Notícias, realizada na icônica Casa do Olodum, a secretária sublinhou a profunda ligação entre a folia baiana e brasileira com as raízes culturais afrodescendentes, destacando o samba como a grande matriz de tudo.
Nascida e criada na Liberdade-Curuzu, um dos bairros de maior efervescência cultural negra da capital baiana, Ângela Guimarães reforçou a ideia de que o samba é mais do que um ritmo; é a espinha dorsal das expressões culturais afro-baianas. Para ela, a própria existência do Carnaval, em sua forma mais autêntica e vibrante, é inseparável das manifestações culturais da população negra.
"Não existe Carnaval na Bahia nem no Brasil sem a população negra, sem as manifestações culturais da população negra, sendo o samba a grande matriz de todas essas expressões culturais afro-baianas e afro-brasileiras", lembrou a secretária durante a conversa.
Samba: Uma História de Resistência e Superação
A secretária fez questão de mergulhar no contexto histórico de desafios e repressão enfrentados pelas tradições negras no Brasil. Ela explicou que o samba, junto a outras expressões rítmicas e religiosas, nasceu como um poderoso ato de resistência em ambientes muitas vezes hostis, como os terreiros e as senzalas.
Em tempos passados, a cultura negra foi sistematicamente silenciada. As religiões de matriz africana eram proibidas, e até mesmo o simples rufar dos tambores, que hoje embala milhões de foliões, era um ato ilegal. Ângela Guimarães pontuou que foi nesse cenário de proibição que o samba se fortaleceu, emergindo contra todo o processo de silenciamento e se tornando um símbolo de identidade e liberdade.
Legado Transversal: Do Samba ao Axé e MPB
Para Ângela, a influência do samba vai muito além dos barracões das escolas ou dos blocos de rua. Ele é uma pauta transversal que permeia a arte, envolve artistas negros e define a identidade visual e cultural da folia contemporânea. Os blocos de matriz africana, por exemplo, são a prova viva dessa grandiosidade e dessa herança cultural.
A Bahia, segundo a secretária, não é apenas um palco, mas o berço e o epicentro do "boom" do samba no Brasil. Seja através dos blocos, seja pelos pioneiros que desbravaram novos caminhos, a presença do samba é inegável. "Sem o samba não existiria o Axé Music, nem o MPB (Música Popular Brasileira)", alertou ela, conectando as raízes históricas do ritmo a gêneros musicais que hoje são pilares da música brasileira.
Assim, a reflexão de Ângela Guimarães não é apenas um olhar para o passado, mas um lembrete crucial da riqueza e da complexidade cultural que pulsa no coração do Carnaval e que continua a moldar a identidade brasileira.







