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Cultura

Carnaval Infantil em Salvador: Blocos oferecem folia segura e rica para crianças

Blocos infantis em Salvador oferecem folia segura e cultural para crianças no Carnaval, com estímulos controlados e foco no desenvolvimento.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Cultura
07 de fevereiro, 2026 · 03:06 4 min de leitura
Foto: Fábio Menezes / Bahia Notícias
Foto: Fábio Menezes / Bahia Notícias

O Carnaval de Salvador, na Bahia, é uma festa que transforma a cidade, parando a rotina e até as aulas das escolas. Para quem ama a folia, a espera é longa; para quem prefere a calmaria, a saída da cidade é o plano. Mas e as crianças? Esse público tão especial também merece atenção na maior festa de rua do planeta, e é aí que entram os blocos infantis, que oferecem uma experiência pensada para os pequenos, com muita diversão e segurança.

Blocos infantis: um espaço de desenvolvimento e cultura

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As manhãs de sábado e domingo de Carnaval em Salvador, especialmente no circuito Osmar, no Campo Grande, são dedicadas à alegria das crianças. Trios elétricos coloridos e pipocas adocicadas preenchem a avenida, criando um ambiente mágico. Mas será que esses espaços são realmente adequados e seguros para os pequenos?

Para a pedagoga Aline Lisbôa, especializada em Psicopedagogia e Neurociência aplicada à educação e fundadora do núcleo de estudos em infância da Casa Coruja, a resposta é sim, com os devidos cuidados. Ela explica que o Carnaval pode ser muito importante na construção da identidade de uma criança, principalmente em Salvador, por ser uma manifestação cultural tão potente.

"O Carnaval pode ser importante na construção identitária da criança, porque de qualquer forma a gente está falando de uma manifestação cultural potente, principalmente quando a gente fala de Salvador", explica a profissional.

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A festa, feita para as crianças, ajuda no desenvolvimento emocional e psicológico, na identidade e no autorreconhecimento dos pequenos. Por outro lado, o Carnaval adulto, com consumo de álcool, músicas que podem ter letras inadequadas e aglomerações, pode ser um ambiente com excesso de estímulo sem mediação, sons muito altos, estímulo visual em demasia e sobrecarga sensorial. Isso pode atrapalhar o desenvolvimento da criança e colocá-la em risco.

"Se eu levo a minha criança para o carnaval e não é um ambiente de blocos infantis, um ambiente pensado para a criança aproveitar e curtir, eu posso, sim estar colocando ela em risco. Estar colocando ela em um meio que pode ter confusões, brigas, sobrecarga sensorial, sons muito alto, sexualizações, ambiente totalmente inadequado ali para criança", esclarece a pedagoga.

Tradição e acolhimento nos blocos afro e infantis

Entre os blocos que desfilam com foco nas crianças, o Bloco Ibéji se destaca. Há 32 anos, esse bloco afro infantil foi criado com um objetivo social: atender crianças carentes da comunidade que não tinham como participar de outros blocos carnavalescos. Marta Santana, a atual presidente e filha da fundadora, conta que, mesmo vendendo abadás hoje, o Ibéji mantém sua proposta de "pertencimento" e "manutenção" da cultura afro, ainda distribuindo roupas para crianças da região.

"A criança é o prefácio de tudo. A criança é uma fonte de renascimento, é fonte de juventude. Ela é que renova e a gente tem que fazer com que as crianças, elas tenham essa vontade - os pais também - de ensiná-los a ter uma cultura e conhecer a cultura afro", declara Marta.

O cuidado com a segurança é primordial. O Ibéji desfila no domingo, bem cedo, às 11 horas da manhã, quando o circuito está mais tranquilo. Eles contam com corda, segurança e equipe de apoio para garantir a diversão em paz. A música também é pensada para levantar o clima e a autoestima, com a banda própria do bloco, que neste ano lançou a canção "Cabelo Black", exaltando a beleza dos cabelos afros naturais.

Outro bloco com mais de 30 anos de história é o Bloco Happy, comandado pelo Tio Paulinho. Ele lamenta a saída do Bloco Algodão Doce, de Carla Perez, que se despede da avenida este ano, mas reforça a importância das pipocas infantis, que atraem toda a família. "Quantas gerações carnavalescas a gente formou? Pais que foram minhas crianças, levando as suas crianças com a memória afetiva do nosso melhor Carnaval do planeta", defende Tio Paulinho. O Happy tem um repertório mais aberto, sendo comandado este ano pela banda Filhos de Jorge, o que, para a pedagoga Aline, não é um problema, desde que o conteúdo seja adequado para os pequenos.

Da comunidade para o futuro: O Bloco Erê

Além do circuito Osmar, o Carnaval do Pelourinho também oferece atrações para o público infantil. No bairro do Curuzu, o Bloco Erê, do Ilê Aiyê, é uma referência. Conhecido como "Ilê Mirim", ele desfila há mais de 30 anos pelas ruas do Curuzu e Liberdade, nos domingos de Carnaval. Vivaldo Benvindo, diretor-fundador do Bloco Ilê Aiyê, explica que distribuem 1.000 roupas para as crianças.

O bloco surgiu da iniciativa de Mãe Hilda de Jitolú, que queria que as crianças da comunidade aprendessem a tocar. Com o tempo, a Banda Erê foi formada, e muitos dos músicos e vocalistas atuais da Band'Aiyê, a banda principal do Ilê, vieram do Bloco Erê. Ou seja, é um celeiro de talentos e uma forma de impactar a autoestima das crianças desde cedo, mantendo a cultura viva.

Para a pedagoga Aline, o brincar simbólico que o Carnaval proporciona, de se fantasiar e criar, fortalece a saúde emocional da criança. Esses espaços dedicados, como o Ibéji, o Happy e o Erê, oferecem estímulos externos que fortalecem o pertencimento e o emocional, permitindo que as crianças vivam o Carnaval de Salvador de forma plena, segura e com muita cultura.

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