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Cultura

Armandinho Macêdo defende guitarra baiana como patrimônio de Salvador

Armandinho Macêdo reforça pedido para que a guitarra baiana, criada por Dodô e Osmar, seja reconhecida oficialmente como patrimônio. O instrumento é um símbolo do Carnaval de Salvador, mas ainda busca o título formal.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Cultura
07 de fevereiro, 2026 · 03:06 3 min de leitura
Foto: Instagram
Foto: Instagram

A guitarra baiana, um instrumento musical que dá um toque único às canções e se tornou um verdadeiro símbolo do Carnaval de Salvador, na Bahia, ainda busca o reconhecimento oficial como patrimônio material da cidade. Armandinho Macêdo, figura essencial para a popularização do instrumento, fez um apelo para que essa salvaguarda cultural seja finalmente concedida.

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Em conversa com o portal Bahia Notícias, o músico reforçou a importância do título.

"Eu acho que tem que ser registrado como patrimônio imaterial da nossa cultura, se bem que é bem material (risos). A guitarra baiana é um instrumento que nasceu na Bahia antes de chegar o rock, à guitarra, de chegar tudo isso."

Apesar de seu forte elo com a folia e a cultura local, e de ter sido tema do Carnaval de Salvador em 2013, a guitarra baiana carrega o apelido carinhoso de "patrimônio do povo", mas ainda não tem um reconhecimento formal.

A história da guitarra baiana

A história da guitarra baiana começou lá na década de 1940. Criado por dois grandes inventores da música baiana, Osmar Álvares Macêdo e Adolfo Dodô Nascimento, o instrumento nasceu da necessidade de amplificar o som nas ruas. No início, ele tinha outros nomes, como "pau elétrico" e "cavaquinho elétrico". Foi Armandinho Macêdo, filho de Osmar, quem batizou o instrumento de "guitarra baiana" na década de 1970, tornando-o uma sensação em suas mãos e lhe rendendo o título de 'Rei da Guitarra Baiana'.

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O instrumento é uma mistura interessante entre o cavaquinho e o bandolim. Ele pegou emprestado o calibre e a escala das cordas do cavaquinho e a afinação (Sól-Ré-Lá-Mi) do bandolim. Hoje, as guitarras baianas são feitas com cinco cordas, uma afinação diferente (Mi, Lá, Ré, Sol, Dó) e podem até ter ponte móvel, o que as diferencia ainda mais dos seus "primos" cavaquinho e bandolim.

Um legado para o Carnaval

A proposta de registrar a guitarra baiana como patrimônio não é nova. Em 2012, durante a gestão do então prefeito João Henrique (PP) em Salvador, a vereadora Vânia Glavão (PT) apresentou um projeto de indicação na Câmara Municipal. O objetivo era garantir as medidas necessárias para o registro do instrumento e de sua fabricação. No entanto, o projeto foi movimentado pela última vez em 2014 e, com a não renovação da vereadora, acabou arquivado.

Músicos de destaque adotaram a guitarra baiana, mostrando sua versatilidade e alma. Roberto Barreto, da banda BaianaSystem, é um desses apaixonados. Ele já escreveu sobre o instrumento, que ele vê como muito mais que um objeto musical.

"Não vejo muito como um instrumento, mas sim como um meio de expressar ideias e sentimentos. Por ser um instrumento criado e concebido aqui na Bahia existe a parte afetiva e junto com isso, acompanha uma estética musical que é única em um repertório"
, disse o artista em uma entrevista em 2013.

Armandinho e seu irmão, André Macêdo, continuam o legado da família, mantendo viva a tradição do Carnaval na avenida. Eles destacam o impacto das contribuições de Dodô e Osmar, que mudaram o contexto do trio elétrico e inspiraram carnavais por todo o país, consolidando o de Salvador como o maior do mundo.

“Nós somos uma base musical, porque a gente mudou todo o contexto de trio elétrico, começado por Dodô e Osmar. O cavaquinho, o violão, a percussão. Nós montamos banda, nós trouxemos o primeiro cantor, nós criamos toda uma história que atrás disso veio toda a galera do Axé Music. Então é, pra gente, é história de vida. A gente nasceu, foi nascido e criado no trio elétrico. A gente é aquele que brincava de trio elétrico em casa desde pequenininho.”

O público terá a chance de ver os irmãos Macêdo no Carnaval de Salvador, participando das tradicionais pipocas na Barra no domingo, segunda e terça-feira de folia.

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