Pesquisadores de uma equipe liderada por Yoshinori Miyazaki, da Rutgers University, identificaram novas evidências de que duas enormes estruturas presentes na divisa entre o manto e o núcleo da Terra, a cerca de 2.900 quilômetros de profundidade, podem estar relacionadas à origem da vida no planeta. Essas formações, que estão localizadas sob a África e o oceano Pacífico, desafiam modelos tradicionais sobre a formação da Terra e foram analisadas em um estudo publicado na revista Nature Geoscience.
Historicamente, a teoria mais aceita sugere que bilhões de anos atrás, a Terra teria formado um vasto “oceano de magma”. À medida que este material se resfriava, separações químicas teriam dado origem a diferentes camadas. Contudo, a pesquisa atual revela um cenário distinto, onde se observam regiões com comportamento sísmico incomum, conhecidas como “províncias de baixa velocidade de cisalhamento de grande escala” e “zonas de velocidade ultra-baixa”, que desaceleram ondas sísmicas ao transitarem por elas.
“Se começarmos a partir do oceano de magma e realizarmos os cálculos, não obtemos o que vemos no manto da Terra hoje. Algo estava faltando”, afirmou Miyazaki. De acordo com a nova investigação, pequenas quantidades de silício e magnésio podem ter vazado do núcleo para o oceano de magma, o que impediu sua solidificação em áreas específicas, resultando nas estruturas irregulares observadas atualmente. Essa dinâmica pode ter sido crucial para que o planeta adquirisse condições propícias para o surgimento da vida.
Os cientistas destacam que compreender o que ocorre no interior subterrâneo da Terra pode ser decisivo para elucidar a diferença entre a evolução de nosso planeta e de outros corpos celestes. Enquanto a Terra é dotada de água, vida e uma atmosfera estável, Vênus e Marte apresentaram trajetórias de resfriamento distintas, resultando em ambientes hostis. “A atmosfera de Vênus é 100 vezes mais espessa e composta principalmente de dióxido de carbono, enquanto Marte tem uma atmosfera muito tênue”, comparou Miyazaki.
Embora as investigações avancem, os pesquisadores reconhecem que as evidências ainda são limitadas, e novas descobertas poderão esclarecer a origem do planeta ao longo do tempo. Como conclui Miyazaki, cada nova evidência pode contribuir para a compreensão dos primeiros capítulos da história terrestre.







