O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, admitiu que houve planejamento para um golpe de Estado no fim do governo de Jair Bolsonaro. A declaração foi dada em entrevista ao programa Timeline, da Rádio Gaúcha, nesta quarta-feira, 7 de outubro.
Segundo Valdemar, a articulação ocorreu depois da derrota de Bolsonaro para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nas eleições de 2022. Ele foi questionado pelo jornalista Paulo Germano sobre a existência do plano golpista e confirmou que houve discussões.
“Não tenha dúvidas. Quantos planejamentos você não faz e vê que depois ‘que está errado’ e para no meio?”, disse o presidente do PL.
Valdemar também foi questionado se uma articulação semelhante poderia se repetir em um eventual governo de Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo partido. Primeiro, ele admitiu a possibilidade de haver planejamento. Em seguida, afirmou que uma nova tentativa não ocorreria.
O dirigente do PL defendeu ainda a anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 e afirmou que o planejamento de um golpe, isoladamente, não deveria ser tratado como crime. “A lei diz que você pode planejar um assassinato, mas se você não assassinou o camarada, e não tentou, não é crime. Tudo bem, discutiram de dar o golpe, mas não deram o golpe, e daí?”, declarou.
De acordo com a Rádio Gaúcha, Valdemar afirmou que Flávio Bolsonaro tomaria a decisão de soltar 180 pessoas presas logo no primeiro dia de um eventual governo. A fala também foi relacionada aos envolvidos nos atos de 8 de Janeiro. Em outra declaração, o dirigente disse que a intenção seria “soltar todos os militares que estão presos injustamente”.
Valdemar disse ainda que Jair Bolsonaro poderia deixar a prisão domiciliar com uma eventual anistia no governo de Flávio Bolsonaro. Segundo ele, o ex-presidente não teria cargo formal na gestão do filho, mas continuaria opinando informalmente. “Bolsonaro logicamente vai dar opinião no governo, não tenho dúvida disso. Mas não vai fazer parte do governo”, afirmou.
Jair Bolsonaro está em prisão domiciliar. Em julho deste ano, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes decidiu manter a medida, considerando a melhora no quadro de saúde do ex-presidente e a ausência de falta grave no período.







