A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) acendeu um sinal de alerta para a Bahia. O Relatório de Segurança de Barragens 2026 (RSB 2026), lançado no início de julho, identificou 15 barragens no estado com necessidade de ações prioritárias de gestão de segurança — estruturas que apresentam alto risco, comprometimento físico ou que se encontram em níveis de emergência.
O levantamento é realizado anualmente desde 2011 e cobre barragens de diferentes setores. Segundo o relatório, a Bahia possui 821 barragens cadastradas, sendo que a maioria foi construída para fins de irrigação (349) ou abastecimento humano (227). Dessas, 15 foram classificadas como críticas com base nos dados de 2025.
As estruturas preocupantes estão espalhadas por seis municípios. Caetité concentra o maior número: cinco barragens sob fiscalização da Agência Nacional de Mineração (ANM), todas ligadas a atividades de extração mineral. Maiquinique aparece com três estruturas — também sob fiscalização da ANM. Morro do Chapéu tem duas barragens monitoradas pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema). Mata de São João, Porto Seguro e Ibicoara completam a lista, cada uma com uma ou mais estruturas sob vigilância do Inema.
Segundo informações divulgadas pelo relatório da ANA, todas as 15 barragens baianas foram classificadas com alto risco de perda de vidas humanas. O perigo é atribuído principalmente à proximidade com rodovias, moradias e áreas de trânsito de pessoas ao redor das estruturas. A maioria também apresentou sinais de comprometimento estrutural causados por erosão, escorregamento ou rachaduras — mas nenhuma delas teve sua operação interrompida ao longo do ano.
Sete das 15 barragens foram incluídas no Plano Anual de Fiscalização de Segurança de Barragens (PAFSB) de 2025 ou 2026, enquanto as oito restantes receberam vistorias técnicas in loco ainda no ano passado, conforme a fonte original. Quatro estruturas — RES 02, Fazenda São José, RES 01-A e RES 01-B, todas em Mata de São João — não se enquadraram nos critérios de alto risco individual, embora permaneçam na lista de prioritárias.
No plano nacional, o RSB 2026 identificou 213 barragens prioritárias para gestão de segurança no Brasil, que apresentam problemas de conservação ou para as quais os responsáveis não cumpriram todos os requisitos exigidos na Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB). Entre as atividades monitoradas, o setor de mineração lidera o número de estruturas prioritárias, somando 55 barramentos — 26% do total.
Em 2025, foram reportados 18 acidentes e 23 incidentes com barragens no Brasil, sem vítimas fatais, com consequências como evacuação de populações e danos a estradas e pontes. Em relação aos números do RSB anterior, houve redução de 25% nos acidentes e de 49% nos incidentes registrados.
Um dos pontos mais críticos do relatório diz respeito à capacidade de fiscalização. Pela primeira vez desde o acidente com a barragem de Brumadinho, em 2019, houve queda no número de profissionais atuando na área. Nas 33 instituições fiscalizadoras, há 333 profissionais trabalhando com o tema, sendo 161 exclusivamente dedicados à segurança de barragens. O déficit estimado para atender às equipes mínimas recomendadas é de pelo menos 221 profissionais exclusivos em 28 dos 33 órgãos fiscalizadores.
A aplicação de recursos dos orçamentos público estadual e federal em ações de gestão da segurança de barragens diminuiu entre 2024 e 2025, passando de R$ 147 milhões previstos no orçamento para R$ 104 milhões efetivamente executados — uma diferença de 29% dos recursos que não saíram do papel. O RSB é elaborado com base em dados dos 33 órgãos fiscalizadores e, após ser apreciado pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos, é encaminhado ao Congresso Nacional.






