Uma revisão guarda-chuva publicada no BMJ em fevereiro de 2024 associou maior exposição a alimentos ultraprocessados a resultados desfavoráveis em 32 de 45 parâmetros de saúde avaliados. O estudo reuniu 45 análises combinadas, com dados de 9.888.373 participantes.
Os autores analisaram revisões sistemáticas e meta-análises de estudos observacionais sobre alimentos classificados como ultraprocessados. Entre os resultados com evidência considerada mais consistente estão associações com maior risco de mortalidade relacionada a doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, ansiedade e outros transtornos mentais comuns.
No caso do diabetes tipo 2, a análise de dose-resposta apontou risco relativo de 1,12 a cada aumento de 10% na participação desses produtos na alimentação — ou seja, uma associação de cerca de 12% maior. A pesquisa também relatou associações com mortalidade por todas as causas, depressão, obesidade e alterações do sono.
Os resultados não demonstram que um produto ultraprocessado, isoladamente, cause essas doenças. A revisão reuniu principalmente estudos observacionais, nos quais fatores como renda, atividade física, tabagismo, sono e o conjunto da dieta podem influenciar os resultados.
A qualidade da evidência também variou conforme o desfecho: na avaliação GRADE, 22 análises tiveram qualidade baixa, 19 muito baixa e quatro moderada. Os pesquisadores afirmam que os resultados apoiam a necessidade de mais estudos sobre os mecanismos envolvidos.







