O exame do tecido retirado do pulmão do Papa Leão XIV confirmou adenocarcinoma pulmonar, após cirurgia realizada em 13 de outubro no Hospital Gemelli, em Roma. O estágio da doença não foi informado pelo Vaticano.
O procedimento removeu o lobo inferior do pulmão direito por técnica videoassistida e durou cerca de 90 minutos. Segundo o boletim médico do Vaticano, a operação ocorreu sem complicações, e a previsão inicial era de uma semana de internação.
O adenocarcinoma, tipo de câncer identificado no Papa, também pode atingir pessoas que nunca fumaram, segundo Clarissa Baldotto, professora do Instituto de Educação Médica (IDOMED) e presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC). A doença é atualmente o tipo mais comum de câncer de pulmão no Brasil e no mundo.
A sobrevida varia conforme o estágio em que o tumor é identificado. De acordo com dados da Associação Internacional para o Estudo do Câncer de Pulmão (IASLC), pode chegar a 90% a 92% em cinco anos no estágio 1A1. No estágio 3, fica entre 12% e 41%; no estágio 4, pode chegar a no máximo 15%.
As diretrizes brasileiras recomendam rastreamento anual com tomografia de tórax de baixa dose para pessoas de 50 a 80 anos com histórico de tabagismo superior a 20 anos-maço, que ainda fumem ou tenham parado há menos de 15 anos. O rastreamento sistemático não é recomendado atualmente para quem nunca fumou ou teve menor exposição ao tabaco.
Baldotto afirma que estudos estão em andamento para definir quais pessoas que nunca fumaram poderiam se beneficiar do rastreamento. Ela também alerta que o câncer pode aparecer em exames feitos por outros motivos e que a possibilidade deve ser considerada mesmo sem histórico de tabagismo.
Tosse persistente, sangue ao tossir, perda de peso sem explicação, dor no tórax, cansaço ou falta de ar progressivos podem justificar avaliação médica. Segundo a especialista, entre 70% e 80% dos pacientes com câncer de pulmão no Brasil recebem o diagnóstico em estágio avançado.
A análise molecular do tumor ajuda a identificar alterações que podem tornar o câncer sensível a medicamentos específicos. Em casos iniciais, a lobectomia pode ser uma opção cirúrgica quando há indicação e condições clínicas para a operação.






