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Política

Ibama autoriza perfuração da Petrobras na Margem Equatorial

Ibama autorizou perfuração exploratória no bloco FZA-M-059, na Margem Equatorial; sonda NS-42 começa perfuração de cinco meses e ONGs anunciam ação judicial.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Política
21 de outubro, 2025 · 09:08 2 min de leitura
Cientistas avaliam que a medida decisão contraria os compromissos com atransição energética (Imagem: Gustavo Frazao/Shutterstock)
Cientistas avaliam que a medida decisão contraria os compromissos com atransição energética (Imagem: Gustavo Frazao/Shutterstock)

Organizações da sociedade civil anunciaram que vão recorrer à Justiça após o Ibama autorizar a Petrobras a perfurar na área conhecida como Margem Equatorial. A autorização vale para o Bloco FZA-M-059, em águas profundas do Amapá, a 500 km da foz do Rio Amazonas e a 175 km da costa.

O que foi autorizado

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Segundo o Ibama, a licença permite a perfuração exploratória do poço no FZA-M-059. A Petrobras diz que, nesta fase, trata‑se apenas de pesquisa: a sonda NS-42 já estaria no local e a perfuração começaria imediatamente, com duração estimada em cinco meses e sem produção comercial nessa etapa.

Como o Ibama justificou

O órgão afirma que a licença saiu após um processo de licenciamento que incluiu:

  • Elaboração de Estudo de Impacto Ambiental;
  • Três audiências públicas;
  • 65 reuniões técnicas setoriais em mais de 20 municípios do Pará e do Amapá;
  • Vistorias nas estruturas de resposta à emergência;
  • Uma Avaliação Pré-Operacional com mais de 400 pessoas.

Reações e preocupações

O Observatório do Clima avaliou que a decisão contradiz a liderança climática que o Brasil busca e pode complicar as negociações brasileiras na COP: “A aprovação é uma sabotagem à COP e vai na contramão do papel de líder climático reivindicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no cenário internacional. Também cria dificuldades para o presidente da COP, André Corrêado Lago, que precisará explicar o ato aos parceiros internacionais do Brasil”.

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Organizações ambientais e cientistas classificaram a medida como uma decisão de natureza política e apontaram riscos às comunidades locais, à biodiversidade e ao clima. O cientista Carlos Nobre alertou que a Amazônia pode atingir um ponto de não retorno caso o aquecimento chegue a 2°C e o desmatamento ultrapasse 20%, e afirmou não haver justificativa para nova exploração de petróleo.

Suely Araújo, coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, disse que o governo será processado: “Por um lado, o governo brasileiro atua contra a humanidade, ao estimular mais expansão fóssil contrariando a ciência e apostando em mais aquecimento global. Por outro, atrapalha a própria COP30… O governo será devidamente processado por isso nos próximos dias”.

Como desdobramento, as organizações anunciaram que ingressarão com ações judiciais nos próximos dias. A Petrobras manteve a previsão de início imediato da perfuração exploratória, com duração estimada em cinco meses.

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