Na sexta-feira (29), os governadores do Nordeste divulgaram uma nota pública em reação às declarações do governador de Minas Gerais, Romeu Zema, que afirmou, em entrevista, que a região viveria de subsídios e privilégios.
Os gestores repudiaram esse discurso e pediram diálogo. Afinal, o país anda para frente quando há colaboração entre entes federativos — não quando se lançam acusações que dividem.
Dados citados na nota
Para rebater a narrativa, a nota trouxe números do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) referentes a 2024: o banco liberou R$ 133,7 bilhões no ano, e 73% desses recursos ficaram concentrados no eixo Sul‑Sudeste. O Nordeste recebeu R$ 13,3 bilhões, enquanto Minas Gerais teve desembolsos de R$ 12,7 bilhões — dados que, segundo os signatários, desmontam a ideia de que a região seria a principal beneficiária.
Os governadores também contestaram a versão de que o Nordeste seria culpado pelo endividamento da União. Até abril deste ano, a dívida dos estados com o governo federal somava R$ 827,1 bilhões, dos quais 92% estavam vinculados ao Sul e ao Sudeste; o Nordeste representava apenas 3% desse total.
Proteção social e desenvolvimento
A nota ressaltou a importância de políticas sociais para proteger famílias e movimentar a economia local. Programas como Bolsa Família, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e a Garantia Safra foram citados não como privilégios, mas como instrumentos de amparo social e de fortalecimento do mercado interno — uma espécie de rede de segurança que também ajuda a manter comércio e serviços funcionando.
Os governadores lembraram ainda fatores históricos que levaram à concentração de riqueza no Centro‑Sul desde o período colonial até o processo de industrialização do século XX. Segundo o texto, o Nordeste sempre buscou condições justas de desenvolvimento, não esmolas.
Assinaturas e desfecho
A nota foi assinada pelos nove governadores do Nordeste:
- Jerônimo Rodrigues (Bahia)
- Rafael Fonteles (Piauí) — atual presidente do Consórcio Nordeste
- Fátima Bezerra (Rio Grande do Norte)
- João Azevedo (Paraíba)
- Raquel Lyra (Pernambuco)
- Elmano de Freitas (Ceará)
- Paulo Dantas (Alagoas)
- Carlos Brandão (Maranhão)
- Fábio Mitidieri (Sergipe)
A nota não anunciou medidas judiciais ou administrativas, nem informou convocações ou audiências públicas decorrentes do documento.
Em resumo: os governadores pedem respeito e cooperação federativa, sustentando suas posições com dados e lembrando que políticas sociais e justiça regional são parte da construção de um país mais equilibrado.