A morte do menino Callvin Marques Conceição, de 4 anos, completa um mês na próxima semana, e a família ainda cobra respostas da Justiça. O garoto foi atropelado na porta de casa, no povoado Olhos d'Água, zona rural de Itanagra, no litoral norte da Bahia.
O caso aconteceu por volta das 17h30 do dia 15 de agosto, às margens da rodovia que corta a região. Segundo relato de Daiane Marques dos Santos, prima da vítima, o veículo trafegava em alta velocidade, derrapou e invadiu a pista contrária. Callvin brincava com uma prima de 12 anos e com a irmã, uma bebê de 1 ano e um mês, quando foi atingido.
As outras duas crianças não foram atingidas pelo carro, mas a bebê sofreu fratura no crânio ao cair dos braços da adolescente. Uma tomografia feita em 19 de agosto identificou hematoma e fratura na região parietal direita. "Foi constatada fratura na cabeça da bebê. No dia do fato, não tinha sido percebido isso, mas ela começou a evoluir com febre e, quando foi para o médico, identificou essa lesão", contou o advogado da família, Bruno Alexandro Santos.
O veículo, um Chevrolet Cruze preto com registro de Cachoeira Paulista, em São Paulo, era conduzido pelo engenheiro civil Yan Santana Araújo, de 28 anos. Passados quase 30 dias, segundo a família, ele continua em liberdade. "Até então, o causador do acidente não teve nenhuma punição, está vivendo em liberdade", afirmou Daiane.
Testemunhas, incluindo os pais da criança, já foram ouvidas pela investigação. Ainda falta colher depoimento da adolescente que estava com Callvin e com a bebê no momento do atropelamento. A defesa da família aguarda os resultados do exame de alcoolemia do condutor e o laudo que vai analisar a dinâmica do acidente. "Estamos aguardando os laudos periciais também sair, que é o laudo da alcoolemia, que foi feito sanguíneo do condutor do veículo", disse o advogado.
Há versões diferentes sobre a conduta do motorista após o atropelamento. Familiares relataram que ele fugiu sem prestar socorro. Já o prefeito de Itanagra, Marcos Sarmento, disse ter recebido a informação de que o condutor permaneceu no local. "O que chegou para mim é que o condutor parou, prestou socorro e continuou no local. A polícia foi acionada, o SAMU [Serviço de Atendimento Móvel de Urgência] também. A polícia, segundo relatos, acolheu o condutor para não haver linchamento", declarou, ressalvando que não presenciou o acidente. "Repito, eu não estava no local, não sei se isso condiz com a verdade", completou. A suspeita de que o motorista estivesse sob efeito de álcool ainda não foi confirmada oficialmente.
Moradores da comunidade cobram da Prefeitura a instalação de quebra-molas e outras estruturas de segurança na rodovia, que já registrou outros casos de veículos perdendo o controle. "Já teve vários casos de carro invadindo as residências em alta velocidade, perdendo o controle, tudo isso. Já invadiu a minha residência também", relatou Daiane. Um abaixo-assinado com cerca de 150 assinaturas foi organizado e levado a deputados, mas, segundo a família, não houve retorno.
O prefeito afirmou que a Prefeitura não pode agir sozinha porque o trecho é de responsabilidade estadual, e que ofícios já foram enviados ao governo da Bahia. Ele disse que 24 placas de sinalização estavam prontas para instalação, mas Daiane afirma que isso não ocorreu. A instalação de um gradil também depende de autorização estadual. A Superintendência de Infraestrutura de Transportes da Bahia e a Polícia Civil não responderam aos questionamentos sobre o andamento das medidas e da investigação.







