Uma técnica de enfermagem foi agredida pelo próprio paciente que havia socorrido momentos antes, na noite do último domingo (12), no distrito Piau, em Piranhas, no Alto Sertão de Alagoas. O caso terminou com a prisão em flagrante do suspeito, identificado como Edval de Melo Rodrigues.
A profissional estava de plantão no Posto de Atendimento Médico (PAM) quando recebeu a informação de que um homem estava desacordado em uma estrada que liga o distrito à cidade de Piranhas. Havia a suspeita de que ele tivesse sofrido um acidente de motocicleta.
Acompanhada do motorista da ambulância, a técnica foi até o local e encontrou o homem caído no chão e vomitando, sem ferimentos ou sangramentos aparentes. Após receber os primeiros socorros, ele foi levado ao PAM.
Ao chegar à unidade de saúde, no momento em que a técnica auxiliava na retirada do paciente da ambulância, ele passou a agredi-la com um soco. Segundo informações divulgadas pela fonte original, o homem também a segurou pela roupa de trabalho. A profissional reagiu tentando se afastar, enquanto o motorista interveio para conter o agressor.
A guarnição do Grupamento de Polícia Militar (GPM) do Piau, com apoio da Força Tarefa 02, foi acionada e se deslocou até o PAM. Segundo o boletim de ocorrência, ao ser abordado pela PM, o suspeito resistiu à abordagem e desacatou os policiais. Diante disso, foi preso em flagrante.
O episódio se encaixa em um cenário de crescente violência contra trabalhadores da saúde no Brasil. Levantamento do Conselho Federal de Medicina (CFM) revelou que um médico é vítima de violência enquanto trabalha em um estabelecimento de saúde no Brasil a cada três horas, com base em boletins de ocorrência registrados entre 2013 e 2024. Os dados se referem a médicos, mas o padrão de agressões atinge toda a equipe de saúde.
Nos últimos meses, episódios graves de agressões físicas, ameaças e violência verbal contra enfermeiros e demais trabalhadores da saúde têm se tornado cada vez mais frequentes dentro de hospitais, UPAs e serviços de urgência e emergência. A maioria das notificações ocorre em unidades públicas de saúde.
De acordo com o presidente do CFM, José Hiran Gallo, "12 médicos são agredidos diariamente em seus postos de trabalho. Essa situação precisa mudar. Não é justo que quem cuida da população trabalhe sem proteção." A observação vale para toda a cadeia de profissionais que atuam na linha de frente do atendimento público, incluindo técnicos de enfermagem que fazem atendimentos pré-hospitalares como o que ocorreu em Piranhas.
Não há informações sobre o estado de saúde da vítima após a agressão nem sobre eventuais lesões. O caso foi registrado pela Polícia Militar por meio de boletim de ocorrência. A investigação segue sob responsabilidade das autoridades locais.






