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Juiz rejeita mais de 2.300 páginas da acusação e garante julgamento de ex-cabo acusado de matar sargento em AL

Magistrado classificou a juntada de documentos de última hora como "lastimavelmente protelatória" e manteve o júri de Gilmar Galvão, marcado para esta quinta (11), no Fórum do Barro Duro, em Maceió.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Polícia
11 de junho, 2026 · 06:22 2 min de leitura
Fórum do Barro Duro, em Maceió, onde ocorre o júri do ex-cabo Gilmar Galvão no caso do sargento Osmário
Fórum do Barro Duro, em Maceió, onde ocorre o júri do ex-cabo Gilmar Galvão no caso do sargento Osmário

Um crime de 1999 chega ao Tribunal do Júri em Maceió nesta quinta-feira (11), mas não sem tensão jurídica de última hora. O juiz Geraldo Cavalcante Amorim, da 9ª Vara Criminal da Capital, tomou uma decisão na tarde de quarta (10) que impediu o adiamento do julgamento do ex-cabo da Polícia Militar de Alagoas Gilmar Galvão da Silva, acusado do assassinato do sargento Osmário Dias Lima Júnior.

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O magistrado mandou retirar dos autos mais de 2.370 páginas de documentos que a assistência de acusação havia anexado ao processo faltando apenas três dias para o júri. Segundo informações divulgadas pelo portal Cada Minuto, os documentos se referiam a outro processo criminal contra o réu e foram classificados pelo juiz como "notadamente impertinentes" e inseridos de forma "lastimavelmente protelatória".

A juntada massiva de papéis levou a defesa do ex-cabo a pedir adiamento, alegando cerceamento de defesa — a intimação sobre os novos documentos só chegou na terça-feira (9). O juiz rejeitou o pedido. Na decisão, Amorim argumentou que um novo adiamento causaria graves prejuízos financeiros ao Estado e penalizaria familiares, servidores e testemunhas que aguardam o desfecho de um crime há mais de duas décadas.

O crime que chocou Alagoas

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Após quase três décadas sem respostas, o assassinato do sargento Osmário Dias Lima Júnior, morto em 1999, chega ao Tribunal do Júri em Maceió. No dia 17 de dezembro daquele ano, Osmário foi sequestrado em frente à própria casa, no Conjunto José Tenório, na Serraria, na presença da esposa — dois homens o obrigaram a entrar em seu carro, uma Parati, e desapareceram.

Três dias depois, em 20 de dezembro, trabalhadores da Fazenda Horizonte, na zona rural de Pilar, encontraram o corpo do sargento em um canavial. Ele havia sido atingido na cabeça por um disparo de espingarda calibre 12, sem chance de defesa. O caso mobilizou a polícia estadual: cerca de 120 agentes e mais de 40 voluntários participaram das buscas, com apoio do comando da PM, do delegado-geral e do então governador Ronaldo Lessa.

As investigações apontaram a participação de integrantes de um grupo de extermínio que atuava em Alagoas nos anos 1990 e 2000. A acusação que será sustentada em plenário enquadra o crime como homicídio qualificado, praticado mediante sequestro e sem possibilidade de defesa para a vítima.

Família cobra justiça

O julgamento está marcado para as 8h, no Fórum do Barro Duro. A família da vítima confirmou presença e realizará um protesto pacífico em frente ao prédio, cobrando justiça. Para os parentes do sargento, o julgamento representa o fim de uma espera que dura 26 anos.

A decisão do juiz Geraldo Cavalcante Amorim reforça o entendimento de que manobras processuais de última hora não podem ser usadas para protelar indefinidamente casos de grande repercussão social. O réu responde em liberdade e, conforme as informações divulgadas, nega envolvimento no crime.

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