O Ministério Público da Bahia (MP-BA) deflagrou na manhã desta terça-feira (9) a Operação Bodyscan, voltada a desarticular uma organização criminosa suspeita de fazer circular drogas dentro do Presídio de Brumado, no sudoeste do estado. A ação foi conduzida pelo GAECO — Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas — e pelo GAEP — Grupo de Atuação Especial em Execução Penal —, em parceria com a 3ª e a 4ª Promotorias de Justiça de Brumado.
O detalhe que dá nome à operação revela a sofisticação do esquema: segundo as investigações, uma das suspeitas teria explorado uma condição especial de saúde como pretexto para não ser submetida ao bodyscan — o equipamento de escaneamento corporal instalado na entrada da unidade — e assim ingressar no presídio carregando entorpecentes sem passar pelo aparelho de revista eletrônica.
De acordo com informações divulgadas pelo MP-BA, há indícios de que o esquema utilizou o acesso funcional de profissionais vinculados ao serviço de saúde bucal do presídio para viabilizar a entrada de material ilícito, com posterior repasse a internos previamente identificados. Os promotores afirmam que havia divisão de tarefas entre pessoas de fora e de dentro da unidade, com uso de mecanismos para dificultar as revistas regulares.
O caso não surgiu do nada. Em março de 2026, a Polícia Penal da Bahia já havia flagrado uma tentativa de entrada de drogas no Conjunto Penal de Brumado após a revista de um detento que acabara de passar por consulta odontológica. À época, apurou-se que a profissional não passava pelo bodyscan por orientação médica, sendo paciente oncológica em remissão — condição que, segundo as investigações, teria sido usada para burlar o controle de acesso.
Durante a Operação Bodyscan, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão em residências localizadas nas proximidades do estabelecimento prisional. As ordens judiciais foram expedidas pela Vara Criminal da Comarca de Brumado, a pedido do MP-BA, no âmbito de um procedimento que apura crimes de introdução, guarda, transporte e distribuição de entorpecentes dentro da unidade.
O material apreendido será analisado para subsidiar o avanço das investigações. O objetivo das diligências, segundo o Ministério Público, é reunir novos elementos probatórios, identificar outros possíveis envolvidos e delimitar a extensão das condutas investigadas.
A Operação Bodyscan segue um padrão recente de ações do GAECO-BA contra o ingresso de drogas no sistema prisional baiano. Em 2022, a "Operação La Rochelle" havia preso monitores de ressocialização do Conjunto Penal de Lauro de Freitas acusados de introduzir drogas e celulares dentro da unidade. Nos dois casos, a estratégia criminosa dependia do envolvimento de pessoas com acesso funcional legítimo ao presídio.


