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PI 6308
Polícia

Criança autista é mandada para casa em saco plástico em Alagoinhas

Gestora foi ouvida e caso virou Termo Circunstanciado; Prefeitura abriu sindicância para apurar o episódio

Redação ChicoSabeTudo
03 de outubro, 2026 · 20:05 2 min de leitura

Uma criança de 6 anos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) foi enviada para casa dentro de um saco plástico, com a fralda suja de fezes, após deixar a escola onde estuda em Alagoinhas, no nordeste da Bahia. O caso ocorreu em 24 de setembro, na Escola Municipal de Educação Integral do Campo.

Segundo a família, a avó do menino, identificado como Ezequiel, foi avisada pela escola que ele voltaria para casa no transporte da Secretaria Municipal da Educação (Seduc). Ao chegar, a avó encontrou a criança enrolada no saco plástico. De acordo com o relato da família, a diretora da unidade teria dito que a medida foi tomada para não sujar o veículo.

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A mãe, Camila, afirmou que a situação constrangedora já teria acontecido outras vezes. Em entrevista ao BOL/UOL, ela disse que o episódio se repetiu em quatro ocasiões e contestou a justificativa dada pela escola, afirmando que havia fralda e roupa limpa disponíveis na mochila do filho.

"Meu filho não é lixo, não é um objeto. Não é um produto para ser colocado dentro de uma sacola plástica", declarou a mãe.

Após o ocorrido, Camila procurou a Ouvidoria da Seduc e, segundo ela, foi orientada a não tomar outras providências externas. Mesmo assim, a família registrou boletim de ocorrência e formalizou denúncias ao Ministério Público da Bahia e ao Conselho Tutelar.

De acordo com a família, depois do registro policial, a Secretaria de Educação organizou uma reunião com a participação da diretora envolvida. Camila afirmou que se sentiu coagida durante o encontro e relatou que a Secretaria chegou a sugerir a transferência do filho para outra escola, mantendo a diretora no cargo — proposta que ela recusou.

Ainda segundo o relato da mãe, a Secretaria teria tentado atribuir a responsabilidade à profissional de apoio que acompanha a criança. A família, no entanto, afirma que essa profissional não estava com o menino no momento do episódio. Camila também relatou que o filho conta com acompanhamento especializado apenas pela manhã, ficando sem auxiliar durante a tarde.

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A Polícia Civil, por meio da 1ª Delegacia Territorial de Alagoinhas, informou que diligências e oitivas estavam em curso para esclarecer o caso. Em atualização posterior, a reportagem do BOL/UOL informou que a gestora da escola, de 55 anos, foi ouvida pelos investigadores, e um Termo Circunstanciado de Ocorrência por constrangimento em unidade educacional foi registrado. Ela deve responder em liberdade.

A Prefeitura de Alagoinhas informou, em nota à reportagem do jornal A TARDE, que abriu uma sindicância para apurar o episódio. Segundo a Secretaria Municipal de Educação, foram adotadas providências administrativas, com conversas junto à família e aos profissionais envolvidos, e os relatos e documentos reunidos foram encaminhados ao setor jurídico do município. A Prefeitura afirmou que acompanha a situação e tomará as medidas necessárias até a conclusão da apuração. Até a publicação da reportagem do BOL/UOL, a Prefeitura não havia se manifestado sobre o caso.

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