Uma artesã de 43 anos que atuava como professora voluntária em um projeto social ligado ao Hospital Universitário Oswaldo Cruz, no bairro de Santo Amaro, no Centro do Recife, denunciou ter sido envenenada com mercúrio por uma das alunas do programa. O caso veio à tona após a vítima instalar uma câmera escondida e registrar a suspeita despejando uma substância em sua garrafa de água em duas ocasiões, em junho de 2025.
Segundo informações apuradas pelo portal, a artesã participava há mais de dez anos do projeto Arte na Medicina, que oferecia oficinas de artesanato para pacientes e familiares internados na unidade. Ela contou que começou a se envolver com o programa porque seus filhos eram atendidos no GAC, Grupo de Ajuda à Criança Carente com Câncer, e quis retribuir o cuidado recebido.
Há quase dois anos, a artesã, que é portadora de fibromialgia, passou a apresentar perda de equilíbrio e dificuldades para urinar. Ela atribuiu os sintomas à própria doença preexistente. A suspeita do envenenamento só surgiu quando percebeu partículas sólidas na água que bebia. Ao chegar em casa após uma aula, sentiu bolinhas no líquido da garrafa e, ao tentar cuspi-las, percebeu que eram esferas prateadas.
A decisão de instalar a câmera ocorreu depois que a artesã perdeu a garrafa de água. Uma das alunas teria feito várias perguntas sobre o sumiço do recipiente, o que pareceu estranho. Uma semana depois, a mesma aluna presenteou a professora com uma garrafa nova. Foi então que ela deixou o celular gravando escondido. As imagens mostraram a suspeita colocando uma substância no recipiente.
Um exame toxicológico confirmou a presença de 21 microgramas de mercúrio por mililitro de sangue. O laudo da perícia na garrafa também detectou o metal na água. Pela quantidade encontrada, a médica responsável pelo laudo estimou que a vítima ingeriu mercúrio por um período de oito meses a um ano.
A suspeita negou ter contaminado a bebida, mas os policiais encontraram resíduos de um pó no fundo da bolsa dela durante a abordagem. A vítima afirma que atualmente depende de muletas para andar, perdeu força nas mãos e apresenta sequelas na pele. Ela segue em tratamento com fisioterapia e diferentes especialidades, e relata compressão na medula e neuropatia.
O inquérito, aberto pela Polícia Civil há mais de um ano, ainda não foi concluído. A mulher aguarda uma consulta com neurocirurgião pelo SUS. Em junho deste ano, a defesa da artesã ajuizou uma ação na Vara da Fazenda Pública de Jaboatão dos Guararapes para obrigar o estado a garantir o atendimento com urgência.
O advogado da vítima destacou que nenhuma prisão preventiva foi decretada e que a cliente continua com medo. "É ela quem está cumprindo uma pena. Não anda direito mais, precisa usar muletas, tem problemas no coração, vive ofegante", afirmou. A Polícia Civil não se manifestou sobre a demora na conclusão do inquérito.







