Anvisa nega autorização para Bahia e outros estados importarem vacina Sputnik V

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) negou, nesta segunda-feira (26), em decisão unânime, a importação emergencial de quase 30 milhões de doses da vacina russa contra covid-19, a Sputnik V, solicitada por 14 estados. A Bahia foi um dos estados que pediu a autorização, após negociar a compra de 9,7 milhões de doses.

O impedimento foi decidido após as gerências técnicas da agência que se ocupam da análise dos medicamentos, fiscalização e monitoramento entenderem que há riscos de uso da vacina. Um deles é a possibilidade da reprodução do adenovírus utilizado na Sputnik V, o que poderia causar o surgimento de doenças. Além disso, alegaram falta de visitas técnicas em todos os locais onde é fabricado o imunizante.

Ainda de acordo com o órgão, a empresa fabricante não enviou os relatórios necessários para a análise de qualidade necessários para aprovação. A Anvisa também informou que houve uma tentativa do Fundo Russo de cancelar a inspeção presencial e os fabricantes da matéria prima da vacina não foram identificados.

Secretário estadual da Saúde criticou decisão da agência de negar importação da vacina russa para o Brasil

Em entrevista ao Jornal da Bahia no Ar, da Rádio Metrópole, o secretário estadual da Saúde, Fábio Vilas-Boas, comentou a decisão da Anvisa de negar a importação da vacina russa Sputnik V para o Brasil.

“A Anvisa foi coerente o tempo todo. Em nenhum momento eles quiseram a aprovação da vacina”, ironizou o secretário.

Questionado por Mário Kertész se esta decisão havia sido política, Vilas-Boas negou. “Não há hipótese de interferência política em uma área técnica. Mas cabe aos políticos modular o parecer técnico dentro da realidade. A Anvisa, do ponto de vista técnico, é extremamente exigente. Eles tentam ser quase um FDA (agência federal dos Estados Unidos de Saúde e Serviços Humanos). Já disse em outra oportunidade, que a Anvisa tem um comportamento esquizofrênico. O que faz os esquizofrênicos? Eles vivem em uma realidade paralela. Não conseguem enxergar o que está acontecendo”, disse.

Vilas-Boas também chamou a atenção para o que nomeou de “apagão vacinal”, o risco de faltarem vacinas no Brasil nas próximas semanas.

“O avanço das variantes na Índia impacta diretamente no Brasil. É bem possível que eles requisitem todo o estoque da Astrazeneca/Oxford para o país. Nós não produzimos essa vacina. Compramos diretamente da Índia”.

O secretário da Saúde está agora em Brasília em conversa com o ministro Ricardo Lewandowski, que, em decisão, autorizou a Bahia a importar diretamente a vacina.

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