Donos de restaurantes criam movimento para protestar contra o lockdown em Feira de Santana-BA

Donos de restaurantes criam movimento para protestar/ crédito: Divulgação

“Qualquer trabalho que provê o pão de cada dia é essencial”. Este cartaz começou a ser divulgado em restaurantes e bares de Feira de Santana, a partir de sexta-feira (26) e simboliza um movimento da categoria que busca protestar contra as medidas restritivas e lockdown, determinados pelo governo do estado e que também estão sendo seguidas em Feira de Santana.

O presidente da Associação Comercial de Feira de Santana e empresário, Marcelo Alexandrino, disse ao Acorda Cidade que o movimento está em curso e que vários estabelecimentos estão em adesão. Ele salientou que o protesto é espontâneo e parte do fato de que os donos não aguentam mais manter os estabelecimentoS fechados e lidando com os vários prejuízos.

“Toda atividade que gera emprego é essencial. Apresentamos um trabalho ao prefeito que está fase final de conclusão e que mostra que toda vez que tem o lockdown o número de novos contaminados aumenta. Quando tem a flexibilização da economia esse número caí e o lockdown não é a solução. Inclusive o prefeito disse que também não acredita que seja a solução e isso até ajuda a contaminar. As pessoas ficam em casa, geralmente pequenas, aglomeram em casa, nos bairros e quando a economia está flexibilizada os trabalhadores estão em seus postos de trabalho, os consumidores vão às lojas e estão seguindo os protocolos, com álcool gel, máscara, medindo a temperatura. Fazendo tudo que é preconizado pela Vigilância Sanitária para dar uma segurança maior. O que precisa ser observado e ter soluções é para o transporte coletivo e outros pontos que aglomeram e podem gerar uma contaminação maior”, disse.

O empresário salientou que a categoria irá se reunir com o prefeito Colbert Martins amanhã para discutir sobre o assunto e aprofundar algumas questões.

Dona de uma rede de pizzarias na cidade, a empresária Liesel Ongaratto aderiu ao movimento “Qualquer trabalho que provê o pão de cada dia é essencial” e declarou que os donos de restaurantes estão cansados de só receberem as sanções das coisas que acontecem. Nas opinião dela, o lockdown parcial que restringe o funcionamento desses estabelecimentos durante a semana até às 18h e suspendeu as atividades neste fim de semana, está causando sofrimento a muitos trabalhadores há quase um ano.

Nossos estabelecimentos foram fechados pela primeira vez no dia 21 de março de 2020 e temos quase 12 meses de sanções e represálias em cima do nosso setor. A gente não consegue sustentar um negócio com 12 meses de sanção e represália. Porque atrelam a nós a culpa da propagação do vírus quando os transportes coletivos estão lotados, o centro da cidade está lotado, quando o poder público municipal não tem capacidade fiscalização das festas clandestinas que é o que realmente está propagando o vírus. Porque eu tenho pizzaria, restaurante, a gente trabalha com distanciamento, protocolos de segurança, protocolos sanitários, a gente acata e aceita tudo que vêm dizendo há 12 meses. E, ainda assim nós somos os culpados da propagação do vírus e ainda assim é como se o nosso trabalho não fosse essencial e todo trabalho é essencial”, disse.

Liesel informou que a sua rede de pizzarias tem cerca de cem funcionários e frisou que esses trabalhadores representam cem famílias, são pessoas honestas em busca do pão de cada dia e que portanto, esse trabalho é essencial e contribui para a movimentação da economia do município e manutenção dos empregos do setor.

“Estamos sofrendo represálias depois da eleição porque antes da eleição podia tudo. Estamos sofrendo desde 10 de dezembro, há quase 90 dias restrições severas em cima do nosso setor e sem contrapartida nenhuma do município. Porque não se cria estrutura, não se cria hospital, leito, tratamento preventivo, nada, se cria prejuízo no nosso setor”, comentou.

De acordo com a empresária, o movimento dos donos de restaurantes contra o lockdown está em crescimento e cerca de 70 pessoas já estão participando. Ela declarou que não sabe como vai pagar a folha dos funcionários e aos fornecedores. Somente na última semana, houve uma queda de 70% no seu faturamento e neste fim de semana cerca de 90%.

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