Acusada de estelionato e outras fraudes, falsa professora de Direito da Bahia é presa em Santa Catarina

MP apurou ao menos seis denúncias contra Cátia/crédito: Reprodução/TV Bahia

A falsa professora de Direito Cátia Regina Raulino, investigada por plagiar trabalhos de alunas, estelionato e exercício ilegal da advocacia em Salvador, foi presa em Balneário Camboriú (SC), na quarta-feira (24). Ela está custodiada na sede da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic), em Florianópolis, e aguarda transferência para a capital baiana.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA), após a Justiça expedir mandado de prisão, a pedido da 9ª Delegacia Territorial da Boca do Rio (9ª DT/Boca do Rio), em Salvador, foi descoberto que Raulino tinha fugido para o estado de Santa Catarina.

“Nas investigações, entramos em contato com a Superintendência de Inteligência da Secretaria da Segurança Pública de Santa Catarina, onde ela foi localizada e o mandado de prisão cumprido”, informou o titular da 9ª DT/Boca do Rio, delegado Antônio Carlos Magalhães Santos.

O inquérito policial foi concluído e encaminhado à Justiça em outubro de 2020. O Ministério Público ofereceu denúncia contra Raulino por crimes de estelionato, falsificação de documento público e falsidade ideológica. Em janeiro deste ano, a denúncia foi acatada pela Justiça.

Relembre o caso

Cátia Raulino dizia ser formada em Direito, com mestrado, doutorado e pós-doutorado, e passou a ser investigada depois que alunas de uma faculdade particular em Salvador denunciaram que tiveram artigos plagiados por ela. Um dos advogados formados em uma das turmas que a falsa professora lecionava acionou o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) contra a ela, pedindo indenização de R$ 30 mil.

A acusada chegou a apresentar documentos à polícia para tentar comprovar que os títulos era reais, mas o delegado Antônio Carlos Magalhães, titular da delegacia da Boca do Rio (9ª DT) , que investiga o caso, disse que nenhum deles era um diploma ou equivalia aos títulos que Cátia dizia possuir.

As universidades onde ela diz ter feito os cursos negam que ela tenha concluído as graduações.

Segundo as ex-alunas que denunciaram os plágios, quando ainda eram estudantes, elas tiveram os trabalhos de conclusão de curso incluídos em livro e revista e, nas publicações, a professora assinou os textos como dela, sem as citar.

Cátia Raulino atuou como professora e coordenadora de faculdades particulares da capital baiana. Ela divulgava o trabalho nas redes sociais, mas um dos perfis, que tinha mais de 180 mil seguidores no Instagram, foi desativado.

A Universidade Federal da Bahia (Ufba) chegou a refazer duas bancas de mestrado que tiveram a participação dela.

Cátia também trabalhou por cerca de um ano no Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA). Através de nota, à época do início das investigações, o TJ-BA informou que ela atuou no órgão entre fevereiro de 2013 a janeiro de 2014, no cargo temporário de supervisor.

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