Candidatos abrem o cofre para campanha

Para muitos políticos, ano de eleição é a época certa para estraçalhar os porquinhos e investir as economias em si próprios. Como uma campanha eleitoral não sobrevive sem dinheiro, candidatos precisam arregaçar mangas, bolsos e carteiras para não sofrerem na pindaíba. De acordo com a segunda parcial da prestação de contas para estas eleições, feita no dia 3 deste mês, dos 1.018 candidatos, 314 declararam que doaram recursos próprios para suas campanhas. O valor soma R$ 5.096.858,05.
Segundo o advogado José Souza Pires, especialista em direito eleitoral, não há limite específico para as autodoações. “O candidato só tem que obedecer o teto do financiamento estabelecido pela legislação. Ele pode financiar toda a campanha”, explicou.
CAMPEÃO
Se na disputa pelo governo do estado, Geddel Vieira Lima (PMDB) é o terceiro colocado, no ranking das autodoações, ele está no topo. O peemedebista aplicou na própria campanha R$ 255.540 em dinheiro. O valor equivale a 15,6% dos R$ 1.635.945,45 arrecadados, de acordo com a prestação de contas. “Não foi por falta de recurso que fiz isso. Investi porque acredito em minha candidatura e em meu projeto”, explicou Geddel.

O porquinho do candidato é parrudo. Ele declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) possuir patrimônio de R$ 3.798.442,64. A doação equivale a 7% dos bens. Além de Geddel, os candidatos ao governo Carlos Nascimento (PSTU) e Luiz Bassuma (PV) desembolsaram R$ 1 mil e R$ 4.500, respectivamente.

Apesar do pouca grana investida, Nascimento não foi o único nanico, nas eleições majoritárias, na lista de auto-doações. A candidata ao Senado Zilmar Alverita (Psol) doou R$ 1.500. Quem mais coçou o bolso para se tornar senador foi José Ronaldo (DEM), com R$ 18 mil. Em segundo lugar está Lídice da Mata (PSB), que investiu R$ 3 mil.
ASSEMBLEIA Entre os seis maiores doadores, cinco são deputados estaduais candidatos à reeleição. A maior doação entre os parlamentares é a de Maria Luiza Laudano (PT do B). Ela aplicou R$ 247 mil dos R$ 353.900 arrecadados por sua campanha. Com um investimento robusto, mas não da magnitude do feito por Laudano, está Isaac Cunha (PT). O deputado, que assumiu a vaga em dezembro de 2007, no lugar de Valmir Assunção (PT), investiu R$ 125 mil em si mesmo.
Há apenas um ano e sete meses como parlamentar efetivado no cargo, o patrimônio do petista cresceu 340% no mesmo período. Passou de R$ 44.500 para R$ 196.046,77. Isaac não retornou as ligações feitas pelo CORREIO. Atrás de Isaac, está a deputada Virgínia Hagge (PMDB). Ela desembolsou R$ 130 mil para financiar sua campanha, cuja receita é de R$ 171.411.
RECOMPENSA
Apesar das altas doações, caso eleitos, os candidatos compensam o prejuízo. O salário de deputado estadual é de R$ 12.600. Em quatro anos, eles acumulam R$ 604.800. No caso de Maria Luiza Laudano, maior autodoação entre os parlamentares baianos, basta um ano e oito meses de trabalho para juntar os cacos do porquinho.
Dos 692 candidatos à Assembleia Legislativa, 211 colocaram dinheiro na própria campanha. As doações já somam R$ 3.542.812,29. Alguns deputados desembolsaram recursos próprios pela primeira vez. Este é o caso do líder da oposição na Casa, deputado Heraldo Rocha (DEM), há cinco mandatos na Assembleia Legislativa. O parlamentar doou R$ 45 mil. “Eu atribuo
isso às campanhas milionárias dos petistas. Eles subiram muito com os custos”, avaliou.
CÂMARA
A disputa por uma vaga na Câmara motivou 96 dos 279 candidatos a abrirem as carteiras em benefício próprio. Nesse caso, as autodoações somam R$ 1.270.475,76. Entre os postulantes ao Congresso, está um deputado estadual, o líder do governo da Assembleia, Waldenor Pereira (PT).
Ele doou R$ 50 mil. “Isso é para dar a arrancada inicial. É muito difícil conseguir recurso”, argumentou. A estratégia de jogar a isca para possíveis doadores funcionou. A campanha do petista arrecadou R$ 136.850. “Senão conseguisse, teria que recorrer a financiamentos”, disse.
Rankin dos maiores doadores:
Os mágicos das autodoações
Em todas as eleições, personagens pitorescos como palhaços, mulheres-fruta e artistas decadentes dão as caras. Nestas eleições, um grupo de candidatos resolveu brincar de mágicos. Só que em vez de tirar coelho de cartola, eles tiram dinheiro da carteira. Um deles é o deputado federal Márcio Marinho (PRB-BA), candidato à reeleição.
Ele informou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que doou para a própria campanha R$ 52.750. Contudo, de acordo com a declaração de bens feita pelo parlamentar à Justiça Eleitoral, ele não possui bens. Marinho não retornou às ligações do CORREIO.
Entre os grandes investidores de si mesmos, há os que retiraram um naco substancial de seus patrimônios. Os R$ 247 mil doados por Maria Luiza Laudano (PTdoB) correspondem a 36% dos seus bens, que somam R$ 681.089,08. O deputado estadual Isaac Cunha (PT) foi mais gastador. O petista desembolsou R$ 125.300, o equivalente a 64% da sua declaração patrimonial.
Ele informou ao TSE possuir R$ 196.046,77 em bens. Segundo o advogado José Souza Pires, especialista em direito eleitoral, a Justiça não checa com a Receita Federal a veracidade das informações ao receber os documentos. “A Receita só age em caso de denúncia”, explicou.
Enquanto uns fazem o dinheiro aparecer, outros se viram para fazer os trocados renderem. O candidato a deputado estadual Amilton Nascimento (PRB) investiu R$ 20 em sua campanha. “Só deu para pintar muro na rua”, lamentou. 
Fonte: Bruno Villa|Redação CORREIO
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