Errado não é ex-BBB carregar a tocha. Errado é deixar atletas olímpicos de fora

Ana Paula, participante da edição mais recente do “Big Brother Brasil”, virou uma espécie de símbolo de um erro cometido pelos organizadores do revezamento da tocha olímpica. Enquanto muitos atletas olímpicos brasileiros ficarão de fora da festa da qual deveriam ser protagonistas, celebridades e subcelebridades carregam a tocha por 200 metros em várias regiões do Brasil.

Não é errado, observando de forma isolada, que uma ex-BBB carregue a tocha – embora, segundo li, Ana Paula tenha sido expulsa do programa por agredir outro participante. Também é corretíssimo que anônimos tenham sua chance – e eles são obviamente a maioria. O revezamento da tocha deve representar o Brasil, contemplando mulheres e homens, pobres e ricos, negros e brancos, descendentes de asiáticos, refugiados, imigrantes, fiéis de diversas religiões e gente de diversas profissões. A tocha, afinal, deve ser conduzida pelo Brasil como ele é.

O problema são os critérios pouco claros e, acima de tudo, deixar de fora aqueles que já representaram o Brasil nos Jogos Olímpicos. Wlamir Marques, dono de dois bronzes (1960 e 1964) com a seleção de basquete, desistiu do revezamento quando soube que sua participação estava sob análise. Há menos de 1,5 mil atletas olímpicos brasileiros vivos. Ao todo, participarão da condução da tocha mais de 12 mil pessoas, de acordo com o site oficial da Rio-2016. Como aceitar que todos estes brasileiros que foram aos Jogos não tenham sido ao menos convidados para levar o fogo olímpico no país que defenderam?

Com tantos atletas olímpicos fora da festa na qual deveriam ser estrelas, há motivo de sobra para criticar que participantes de reality shows e outras celebridades e subcelebridades tenham a chance de conduzir a tocha. Da mesma forma, é certo que empresas patrocinadoras do evento ganhem o direito indicar muitos de seus funcionários para o evento? É marketing, sim. Estão pagando. Óbvio que funcionários destas empresas podem e devem participar, como parte da população brasileira que são, mas ter vantagem em relação aos demais mostra mais uma vez a face de um país dividido entre privilegiados e não-privilegiados.

A organização da Rio-2016 e os responsáveis pelo revezamento da tocha ainda têm dois meses pela frente para consertar este erro. Permitir que todos os olímpicos brasileiros conduzam o símbolo dos Jogos é o mínimo que os responsáveis pelo esporte brasileiro podem fazer para que o País possa começar a ter mais memória esportiva.

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