Amargosa e São Miguel das Matas decretam situação de emergência devido a tremores

Registrados desde o último sábado (29), os tremores de terra deixaram seis famílias desabrigadas em São Miguel das Matas e outra em Amargosa. Os moradores podem receber aluguel social das prefeituras até conseguirem reconstruir ou reabitar suas casas. Das afetadas, apenas uma família de São Miguel das Matas optou por ficar na casa de parentes e não receber o auxílio da prefeitura. As cidades decretaram situação de emergência após a ocorrência de terremotos nos municípios.

Em Amargosa, a situação de emergência foi decretada nessa quinta-feira (3) vigorando por um período de 90 dias. De acordo com o prefeito Júlio Pinheiro, 15 residências são monitoradas pela gestão para verificar se haverá a progressão das rachaduras causadas pelo tremor de terra com a continuidade dos sismos.

O decreto é um protocolo para que a adoção de medidas de socorro e recuperação das casas possa ser feita sem cumprir certas formalidades”, explicou o gestor. Uma igreja e duas escolas também foram afetadas pelos terremotos.

Localizada na comunidade do Feto, no distrito de Corta-mão, no município de Amargosa, a casa da família de Rosimare Santos, 37 anos, caiu parcialmente no último domingo (30) e deverá ser demolida. Por enquanto, os moradores estão com parentes enquanto esperam a disponibilidade de uma residência pra alugar na zona rural da cidade.

Minha casa vai ter que ser construída do zero. Por enquanto, estamos na casa do meu pai porque a prefeitura disse que tínhamos que sair de casa, eles estão procurando um aluguel social para me dar o suporte. Mas, por enquanto, vou ficar aqui”, contou.

O decreto de situação de emergência no município de São Miguel das Matas foi assinado na segunda-feira (31). No documento, a prefeitura cita os danos causados pelos recorrentes tremores de terra nas regiões de Tabuleiro da Boa Vista, Pedreira, Prensa, Riachão, Gendiba, Cabeça do Boi e na sede do município.

De acordo com o prefeito José Renato Curvelo, a gestão já identificou cinco casas destruídas pelo terremoto e mais de 50 com rachaduras causadas pelos tremores. Boa parte dos estragos ocorreu na zona rural, que é mais próxima do epicentro, em Amargosa.

Além das casas, também apareceram rachaduras em uma escola e uma igreja. Algumas casas avaliadas podem ter que acabar sendo demolidas, afirmou.

Morador de São Miguel das Matas, Elielson Lopes, 48, teve que deixar o lugar onde mora, no domingo, após o grande tremor. Durante o evento sísmico, a sua esposa foi atingida por uma telha e se machucou. Agora, ele espera receber o auxílio-aluguel da prefeitura.

“Estou em uma casa de aluguel, prometeram me ajudar e até agora nada. Minha casa foi toda detonada, só aproveita a madeira. O tremor do domingo foi horrível”, contou Elielson.

Ambas as cidades buscam recursos junto ao estado e ao governo federal para reconstruir e reformar os imóveis afetados pelos terremotos. As duas prefeituras acompanham a evolução dos tremores, dão suporte para as famílias que estão amedrontadas e orientam a atuação em caso de novos abalos sísmicos.

Segundo o superintendente da Defesa Civil da Bahia (Sudec), Paulo Sérgio Luz, os municípios de Amargosa e São Miguel das Matas foram mesmo os mais afetados. Em conjunto com a prefeitura, os agentes do órgão ainda realizam o levantamento do número de desabrigados e de imóveis danificados na região. 

Desde o último sábado (29) até esta quinta (3), a Rede Sismográfica Brasileira registrou 23 tremores de terra na região de Amargosa. O maior evento foi registrado no domingo e teve magnitude de 4.6 na escala Richter.

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