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No refeitório da Rosa da Fonseca, as merendeiras servem muito mais do que comida

Visita à escola estadual de Marechal Deodoro (AL) revelou como o trabalho das cozinheiras vai além da nutrição — e virou experiência afetiva para quem chegou como convidado

Redação ChicoSabeTudoRedação · Municipios
03 de junho, 2026 · 00:52 3 min de leitura
Portal ChicoSabeTudo
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O cheiro chegou antes da porta. Antes mesmo de entrar no refeitório da Escola Estadual Rosa Maria da Fonseca, em Marechal Deodoro, no litoral de Alagoas, o aroma da comida já anunciava o que estava por vir. Não era qualquer cheiro. Era daqueles que mexem com a memória, que remetem à cozinha de casa, ao cuidado de quem cozinha pensando em quem vai comer.

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A visita aconteceu em 25 de maio, Dia da África, às vésperas dos Diálogos Afro Pedagógicos promovidos pela escola. A ativista Arísia Barros, coordenadora do Instituto Raízes de Áfricas, e seus dois companheiros de missão — Wellington, o motorista, e Lilian, jovem fotógrafa — foram convidados a almoçar no refeitório antes das atividades. Segundo relato publicado pelo portal Cada Minuto, foram recebidos com simpatia imediata pelas cozinheiras da escola, que os dispensaram da fila e serviram o almoço diretamente.

Na fila, em ordem, estavam os estudantes — muitos deles com apetite de quem não come outra refeição igual tão cedo. O cardápio do dia: frango ao molho acompanhado de arroz. Servido no clássico prato de plástico azul, daquele que qualquer brasileiro de escola pública reconhece sem precisar pensar. A escola, aliás, está gradativamente trocando esses pratos por bandejas de alumínio com divisórias — mas a nostalgia do plástico azul ainda estava à mesa naquele dia.

As merendeiras trabalhavam com toucas brancas, atentas à higiene e à segurança alimentar, sem perder o sorriso. Esse detalhe não passou despercebido. "A comida é tão boa que parece restaurante", disse Wellington, satisfeito com o prato. Lilian, que reclamava de ronco no estômago durante o trajeto de carro, saiu do refeitório com o bucho cheio e um sorriso no rosto, conforme o relato da reportagem.

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O que poderia ser uma pausa simples antes de uma atividade pedagógica tornou-se um momento de reflexão sobre o papel da alimentação escolar no Brasil. O FNDE e o MEC reconhecem que as merendeiras "transformam alimentos em cuidado, aprendizado e afeto" e que o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) garante refeições diárias a quase 40 milhões de estudantes em escolas públicas do país.

Esses profissionais, além de suas atividades na cozinha, são referências de afeto e segurança para muitos alunos, ajudando na formação de hábitos alimentares saudáveis e contribuindo para o aprendizado nutricional. Na Rosa da Fonseca, isso ficou evidente não apenas no prato servido, mas na forma como as cozinheiras receberam os visitantes — e recebem, todos os dias, os alunos que chegam com fomes de diferentes tipos.

Embora o termo oficial seja "cozinheira escolar", a palavra "merendeira" ainda representa com carinho essas profissionais que, com dedicação e afeto, ajudam a nutrir a educação pública brasileira. Na escola de Marechal Deodoro, elas encarnam esse papel à risca — e vão além. Arísia Barros encerrou sua visita agradecendo à direção, representada por Wanessa Vieira e Luís Carlos, e às merendeiras, pela experiência que, segundo ela, foi "extremamente prazerosa".

A refeição no refeitório da Rosa da Fonseca virou, naquele 25 de maio, mais do que um almoço. Virou um lembrete de que dentro da escola pública há gente que acorda cedo, veste touca, descasca, tempera e serve — com o mesmo cuidado de quem cozinha para a própria família. E que isso, silenciosamente, alimenta muito mais do que o estômago.

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