Uma visita ao interior do sertão alagoano virou motivo de reflexão e valorização cultural. Marina Candia esteve no povoado Salgado, em Delmiro Gouveia, e saiu de lá com palavras fortes sobre o que encontrou: uma comunidade que mantém viva, há gerações, a arte da tecelagem artesanal de redes.
Durante a passagem pelo local, ela conheceu a Tecelagem Descanso de Rei e acompanhou de perto o processo de fabricação das peças. Tudo feito à mão, nos mesmos teares rústicos que, segundo informações divulgadas pela assessoria de comunicação, famílias inteiras utilizam para produzir tapetes, redes, colchas e almofadas nessa região do sertão.
O que chamou a atenção de Marina não foi só a técnica. Foi o significado por trás de cada fio. Segundo a assessoria, ela declarou: "Salgado é uma preciosidade do sertão. Entre fios e teares, as redes atravessam gerações, preservando um legado de trabalho, tradição e amor. Mas a maior riqueza desse lugar é o seu povo: acolhedor, forte e de uma fé que inspira."
A história do Salgado com a tecelagem é antiga e tem até um capítulo imperial. Segundo relatos de moradores, o Imperador Dom Pedro II adorou descansar sobre as redes produzidas pelas tecelãs locais durante uma de suas passagens pela região, e o Núcleo de Tecelagem da Associação Rural São João Batista, da Comunidade Salgado, tem seus trabalhos reconhecidos com a marca "Tecelagem do Rei".
O próprio nome "Descanso de Rei" carrega essa memória. O legado imperial virou identidade local, e a comunidade segue honrando essa marca com o trabalho diário nos teares. Em teares bastante rudimentares, Delmiro Gouveia fabrica redes de algodão, uma tradição que posiciona o município como referência do artesanato nordestino.
A visita também repercutiu nas redes sociais. Ainda segundo a assessoria de comunicação, a Tecelagem Descanso de Rei agradeceu publicamente a presença de Marina e afirmou que a visita foi um presente para o povoado, reforçando que as portas — e os corações — estarão sempre abertas para recebê-la de volta.
Delmiro Gouveia é uma cidade marcada pela força de quem transforma o ambiente ao redor. No município, as compras e o artesanato unem a rica história industrial da cidade à cultura resistente e autêntica do sertão alagoano. O Salgado é parte desse conjunto, com sua especificidade: não é um polo industrial, mas um núcleo comunitário onde o artesanato é sobrevivência, identidade e patrimônio ao mesmo tempo.
A passagem de Marina pelo sertão alagoano reforça um movimento que ganha força no Nordeste: o de dar visibilidade a comunidades que resistem ao tempo preservando saberes tradicionais. Para quem vive às margens do São Francisco, entre Alagoas e Bahia, esse reconhecimento não é detalhe — é parte do que mantém essas culturas vivas.







