O Bradesco anunciou o fechamento da única agência bancária de Macururé, município de 7,2 mil habitantes localizado no Vale do São Francisco, no interior da Bahia. O encerramento está previsto para a próxima sexta-feira, 19 de junho, segundo informação confirmada pelo próprio banco.
Com a saída do Bradesco, mais de 2 mil correntistas ficarão sem atendimento bancário presencial na cidade. Eles deverão ser redirecionados para a agência mais próxima, no município de Chorrochó, a 34 quilômetros de distância — cerca de 37 minutos de carro.
O cenário preocupa especialmente porque a maioria dos clientes atendidos em Macururé são idosos e aposentados. O diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia, Ronaldo Ornelas, criticou a medida: "É um prejuízo grande para a população, especialmente para os hipervulneráveis, como idosos e pessoas sem letramento digital ou acesso à internet. É também um prejuízo econômico para as cidades de pequeno porte".
Segundo Ornelas, o fechamento faz parte de uma reestruturação que o Bradesco vem executando desde outubro de 2023, com foco na redução de custos operacionais e ampliação dos serviços digitais. O resultado tem sido a supressão de postos de atendimento presencial em todo o país.
A Câmara Municipal de Macururé realizou uma audiência pública para debater o assunto, e a prefeitura deve entrar com ação judicial ainda nesta terça-feira (16) para tentar impedir o fechamento. O movimento segue um caminho já percorrido por outros municípios baianos: cidades como Caldeirão Grande, Chorrochó e Ubatã também acionaram a Justiça para barrar o Bradesco, com resultados variados.
O caso de Macururé se insere num quadro mais amplo de desassistência bancária no estado. De acordo com o Relatório de Agências Bancárias 2025, do Sindicato dos Bancários da Bahia, 48 agências foram encerradas no estado ao longo do ano passado, contra apenas duas abertas. A Bahia iniciou 2026 com 214 municípios — mais da metade dos 417 do estado — sem nenhuma agência bancária em funcionamento.







